1 de agosto de 2026

Comunicação

Padre Zezinho: “Daqui há dois dias deixarei as redes sociais”

Neste final de semana, após participar de um evento católico do qual tenho tanto apreço, saí com meu coração de leiga e jornalista inquieto.

Já estive ali inúmeras vezes a trabalho, mas desta vez vivi algo completamente diferente: participei como escritora, lançando um livro. Um momento que levarei para sempre no coração.

Uma das maiores riquezas desse evento é justamente reunir os diferentes carismas da nossa Igreja. É a oportunidade de enxergar aquilo que temos de mais bonito: a unidade na diversidade.

Ao meu lado estava o meu biografado, que também lançava seu livro. Confesso que, em todos esses anos trabalhando com ele, foram poucas as vezes em que o vi tão disposto. Aos 85 anos, olhou nos olhos das pessoas, abraçou, ouviu histórias, gravou vídeos, cantou e fez questão de acolher cada pessoa que se aproximava. Era bonito de ver.

Depois da sessão de autógrafos, ele seguiu para uma entrevista cuja pauta era sua própria história: 85 anos de vida e 60 anos de sacerdócio. Como assessora, não pude acompanhá-la, mas via de longe o quanto ele estava feliz e envolvido naquele momento. A entrevista era conduzida por um jornalista renomado e contava com outros entrevistadores, entre eles um influenciador digital.

O que deveria ser uma celebração de uma vida inteira dedicada à evangelização acabou se transformando em uma emboscada.

Em determinado momento, fizeram ao padre uma pergunta claramente tendenciosa. Não era uma pergunta sobre sua história, sobre seu ministério ou sobre sua missão. Era uma pergunta construída para citar nomes, provocar uma reação e gerar um corte. E conseguiram. Envolvido pela conversa, espontâneo como sempre foi, o padre respondeu. Deu a eles exatamente o que procuravam. O mais impressionante veio depois.

Nós sequer havíamos saído do evento quando o corte da entrevista já circulava pelas redes sociais. Não houve tempo para assistir à entrevista completa. Não houve tempo para ouvir o contexto. Não houve tempo para entender tudo o que havia sido dito.

Naquele exato momento, eu já sabia o que aconteceria em seguida. Eu sabia que um determinado influenciador gravaria um vídeo repercutindo aquele trecho, porque esse roteiro já se repetiu tantas vezes que ficou previsível. Eles andam juntos e são previsíveis. E foi exatamente o que aconteceu. Mal o corte começou a circular, já havia vídeo comentando o vídeo. Depois outro comentando o comentário. E assim nasce mais uma polêmica católica na Internet.

Enquanto isso, ninguém falou dos elogios que o padre fez durante a entrevista. Ninguém repercutiu sua alegria em celebrar 60 anos de sacerdócio. Ninguém compartilhou o carinho com que acolheu centenas de pessoas durante todo o evento.

Porque isso não viraliza? Uma vida inteira de evangelização rende poucos cliques.

Mas este texto não é para defender o Pe. Zezinho. Sua história fala por si. Seu legado também. Escrevo como leiga, jornalista e comunicadora católica. E justamente por isso me pergunto: o que esse tipo de comunicação produz para a Igreja? Que bem faz esse tipo de “apostolado”? Quem ganha quando um sacerdote se torna alvo de mais uma onda de julgamentos?

O Pe. Zezinho foi um dos grandes pioneiros da comunicação católica. Muito antes de existirem influenciadores, algoritmos ou redes sociais, ele já utilizava os meios de comunicação para evangelizar. Apanhou muito para abrir caminhos que hoje tantos percorrem com facilidade. Foi conselheiro de sacerdotes como o saudoso Pe. Léo, companheiro de missão e grande amigo de Pe. Jonas Abib, além de inspirar gerações de padres e comunicadores que hoje ocupam o seu espaço.

O que mais me preocupa é perceber que alguns dos que hoje se apresentam como defensores da verdade parecem viver à espera da próxima polêmica. Apresentam-se como guardiões da fé e da verdade. Mas, na prática, sobrevivem de recortes, de interpretações apressadas e da exposição pública de sacerdotes. Como católica de berço, aprendi a respeitar a persona Christi de um sacerdote, mesmo quando não concordo com tudo o que ele diz.

Como jornalista, aprendi que contexto importa. Como comunicadora católica, jamais faria uma pergunta cuja finalidade fosse colocar um padre em uma armadilha para produzir um vídeo de grande alcance.

Infelizmente, nós, católicos, alimentamos essa lógica toda vez que consumimos esse tipo de conteúdo. A comunicação nunca é neutra. Ela pode aproximar ou afastar, construir ou destruir, evangelizar ou escandalizar.

Quando alguém escolhe transformar um sacerdote em alvo de uma polêmica para gerar alcance, não atinge apenas aquela pessoa. Atinge a confiança dos fiéis, enfraquece a comunhão da Igreja e contribui para um ambiente de permanente suspeita entre irmãos. É preciso ter responsabilidade!

Saí daquele evento feliz por ver um sacerdote de 85 anos celebrar sua história junto ao povo. Poucos minutos depois, antes mesmo de deixar o local, vi aquela mesma história ser reduzida a um corte de poucos segundos. E isso, sinceramente, entristece meu coração de católica, de jornalista e de alguém que conhece os bastidores.

Texto da jornalista Gabi Bonavechio

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Música

Cantora cearense Kel Maya grava novo clipe no Museu Solar Ferreira Torto, em Macaíba

A cantora cearense Kel Maya, natural de Fortaleza, escolheu o Museu Solar Ferreira Torto, em Macaíba, como cenário para a gravação de seu novo clipe, “Não Sou Mais de Ninguém”. A artista afirmou que a arquitetura histórica, o ambiente rústico e a identidade cultural do espaço foram fatores decisivos para a escolha, por se encaixarem na narrativa da produção.

A produção de Kel explicou que a canção aborda a libertação amorosa e foi inspirada em relatos de mulheres que conseguiram superar relacionamentos abusivos. “Recebo mensagens de mulheres que se identificam com a música. Espero que o clipe fortaleça essa mensagem e faça com que elas se sintam representadas”, relatou.

O clipe será lançado em breve nas redes sociais da artista.

Economia

Caindo na real: Recorde de brasileiros se autoexcluem das bets enquanto apostas drenam R$ 143,8 bilhões do comércio

As apostas esportivas online voltam ao centro do debate diante de um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado em 2026, que aponta que R$ 143,8 bilhões deixaram de ser gastos no comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026. O levantamento indica que esse montante migrou para as plataformas de apostas, comprometendo o consumo das famílias e contribuindo para o aumento da inadimplência. O valor equivale ao faturamento somado dos Natais de 2024 e 2025 no varejo brasileiro.

Segundo a CNC, os gastos mensais com apostas ultrapassaram R$ 30 bilhões no período analisado, cenário que teria levado cerca de 270 mil famílias à inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias. O estudo ressalta que os recursos deixaram de circular em setores como supermercados, farmácias, lojas de roupas, restaurantes, serviços e lazer, reduzindo o consumo cotidiano e afetando diretamente a atividade econômica.

Os dados também reforçam a preocupação com o impacto social das bets. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estima que cerca de 11 milhões de brasileiros apresentam algum grau de comportamento problemático relacionado às apostas. Durante a Copa do Mundo, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão registrou mais de 250 mil pedidos de bloqueio em apenas duas semanas, refletindo o crescimento da busca por mecanismos de controle entre apostadores.

As conclusões da CNC, no entanto, são contestadas por entidades que representam o setor de apostas, que classificam o estudo como alarmista e questionam a metodologia utilizada. Especialistas destacam que o valor de R$ 143,8 bilhões não representa dinheiro retirado da economia, mas renda que deixou de ser destinada ao comércio e foi direcionada às plataformas de apostas, muitas delas com sede no exterior. O tema segue mobilizando autoridades, pesquisadores e entidades de defesa do consumidor em torno dos efeitos econômicos e sociais da expansão desse mercado.

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Cidadania

Agosto reúne campanhas de conscientização sobre saúde e proteção às mulheres

Agosto concentra campanhas nacionais voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e à promoção da saúde, além do enfrentamento à violência contra a mulher. Entre as principais mobilizações estão o Agosto Dourado, dedicado ao incentivo ao aleitamento materno; o Agosto Lilás, de combate à violência contra a mulher; o Agosto Laranja e Verde Claro, voltados à conscientização sobre esclerose múltipla e linfomas; e o Agosto Azul e Vermelho, focado na prevenção de doenças vasculares. As iniciativas buscam ampliar o acesso à informação e estimular a adoção de medidas preventivas.

O Agosto Dourado é reconhecido pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde como uma ação de incentivo ao aleitamento materno, recomendado de forma exclusiva até os seis meses de vida e complementado até dois anos ou mais. Já o Agosto Lilás marca o aniversário da Lei Maria da Penha, sancionada em 7 de agosto de 2006, e reforça a importância da denúncia de casos de violência por meio da Central de Atendimento à Mulher, no telefone 180. As campanhas Laranja e Verde Claro alertam para o diagnóstico precoce da esclerose múltipla e dos linfomas, enquanto o Agosto Azul e Vermelho incentiva o controle de fatores de risco relacionados a doenças como AVC, trombose e aneurismas.

Embora não exista um calendário oficial único para todas as campanhas por cores, as mobilizações são amplamente promovidas por órgãos públicos, entidades médicas e organizações da sociedade civil. A proposta é fortalecer a educação em saúde, incentivar hábitos preventivos, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce e estimular a busca por atendimento especializado, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida e para a redução de riscos em diferentes áreas da saúde e da proteção social.

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