O racismo, a xenofobia e a prepotência perderam a Copa do Mundo

A Copa do Mundo de 2026 mostrou, mais uma vez, que o futebol é capaz de reunir culturas, aproximar povos e produzir imagens que transcendem o esporte. A homenagem a Pelé no telão; a presença de ex-jogadores brasileiros ao lado de Madonna, incluindo o “bruxo” negro Ronaldinho Gaúcho, o protagonismo de um menino preto nas arquibancadas e a apoteótica vaia a um chefe de Estado que tem patrocinado uma campanha xenofóbica mundial, demonstraram que o palco do futebol também é um espaço de afirmação de valores e talvez tenham reforçado o trauma da derrota em muitos que nutrem esses sentimentos de ódio. A competição foi marcada por denúncias de racismo e xenofobia envolvendo parte da torcida argentina, ampliando um debate que já vinha desde a Copa América de 2024.
Na opinião da Revista Coité, esses episódios não podem ser tratados como meras provocações entre torcidas. Depois da conquista da Copa América, o cântico entoado por jogadores argentinos provocou reação internacional, críticas de atletas, manifestações de clubes e questionamentos de dirigentes. O episódio expôs que manifestações discriminatórias continuam sendo relativizadas quando partem de vencedores ou são classificadas apenas como brincadeiras, tradição ou rivalidade esportiva. Mas no Âmbito da Argentina, nenhuma sanção foi aplicada.
É nesse contexto que torna-se inevitável discutir o papel de Lionel Messi. Ninguém é obrigado a se manifestar sobre todas as questões públicas, mas poucos atletas possuem uma influência comparável à sua. O silêncio do principal ídolo argentino diante de episódios que geraram repercussão mundial acabou sendo interpretado de formas distintas por torcedores e analistas. Essa ausência de posicionamento representa uma oportunidade perdida de exercer uma liderança que vai além do futebol.
Outros grandes nomes do esporte utilizaram sua visibilidade para condenar o racismo ou defender causas relacionadas aos direitos humanos. Isso não transforma quem permanece em silêncio em cúmplice automático, mas reforça que figuras públicas influenciam comportamentos muito além dos gramados. Quando milhões de pessoas enxergam um atleta como referência, cada gesto, palavra ou ausência de manifestação passa a integrar o debate público.
Esta é uma opinião, não um julgamento definitivo sobre uma pessoa. Continuamos admirando a genialidade de Messi como jogador, mas acreditamos que a grandeza esportiva não impede questionamentos sobre escolhas feitas fora das quatro linhas. O combate ao racismo exige ações de clubes, federações, governos e torcedores, mas também depende da coragem de lideranças capazes de transformar respeito em exemplo.
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