Dia da Mata Atlântica, Brasil registra menor desmatamento em 40 anos

Enquanto o debate ambiental costuma aparecer apenas em períodos de tragédia, queimadas ou enchentes, um dado histórico passou quase despercebido neste 27 de maio, Dia Nacional da Mata Atlântica. Pela primeira vez em quatro décadas de monitoramento da SOS Mata Atlântica e do Inpe, o bioma registrou o menor índice de desmatamento desde 1985. Foram 8.668 hectares devastados em 2025, uma redução de 40% em relação ao ano anterior. O número representa mais do que estatística ambiental. A Mata Atlântica é o bioma onde vivem sete em cada dez brasileiros e influencia diretamente o abastecimento de água, o clima, a agricultura, a qualidade do ar e até o risco de enchentes nas grandes cidades.
O que começa a mudar no país é a percepção econômica sobre a floresta em pé. A restauração da Mata Atlântica deixou de ser vista apenas como pauta ambiental e passou a movimentar negócios ligados à bioeconomia, crédito de carbono e produção sustentável. No sul da Bahia, por exemplo, já ocorreu a primeira comercialização privada de créditos de carbono gerados a partir da recuperação da vegetação nativa. Sistemas agroflorestais que misturam cacau, café e espécies nativas vêm aumentando renda de produtores rurais e reduzindo custos agrícolas com ajuda natural da biodiversidade. Segundo o Observatório da Restauração, a Mata Atlântica concentra hoje 64% de toda a área em recuperação monitorada no Brasil. O BNDES também anunciou investimento de R$ 24,9 milhões em pesquisas voltadas à silvicultura de espécies nativas nos próximos cinco anos.
Mas o avanço ainda convive com uma fragilidade silenciosa. Dados do MapBiomas mostram que a Mata Atlântica recupera, em média, 155 mil hectares de florestas jovens por ano, porém parte relevante dessa regeneração volta a desaparecer pouco tempo depois. Nos últimos dez anos, mais de 2 milhões de hectares regeneraram naturalmente, mas cerca de 30% foram novamente perdidos, segundo estudo do Pacto pela Restauração da Mata Atlântica. Especialistas alertam que propostas de flexibilização das leis ambientais seguem avançando no Congresso e podem inverter a trajetória de queda do desmatamento. Em um dos biomas mais destruídos do planeta, cada árvore preservada deixou de ser apenas símbolo ecológico e passou a representar segurança hídrica, estabilidade climática e sobrevivência econômica para milhões de brasileiros.
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Foto: GovBR



















