“Bolsonaro deixou as contas do Brasil equilibradas”. Será?

O superávit primário de R$ 54,1 bilhões em 2022 não traduz, sozinho, a situação fiscal. O indicador compara receitas e despesas antes dos juros da dívida. Entre 2019 e 2022, o saldo acumulado ficou negativo em R$ 795 bilhões, afetado pelos gastos extraordinários da pandemia.
O resultado de 2022 contou com receitas extraordinárias e contenção. Segundo o Tesouro Nacional, privatizações, concessões e antecipação de dividendos de estatais elevaram receitas, enquanto despesas discricionárias foram reduzidas. São medidas que melhoram o resultado, mas não são permanentes.
Também pesou a PEC dos Precatórios, que permitiu adiar cerca de R$ 92 bilhões em pagamentos judiciais. A obrigação foi transferida, aliviando momentaneamente o caixa.
Em termos simples, é como uma família endividada que deixa contas para depois, antecipa salário e vende um bem. O caixa melhora, mas a dívida permanece. Segundo o Ministério da Gestão, a União participa diretamente de cerca de 130 empresas.
Por isso, um superávit isolado não basta para medir a saúde fiscal. É preciso analisar receitas recorrentes, despesas adiadas, dívida e patrimônio público. Sustentabilidade exige resultados consistentes, não alívio temporário.
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