Tecnologia

Com PAX estruturado, Macaíba ganha força na corrida pelo supercomputador do Governo Federal

Macaíba ganhou protagonismo na disputa nacional para sediar um dos mais estratégicos investimentos previstos pelo Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA): um supercomputador de alto desempenho avaliado em R$ 1,8 bilhão. Com cerca de 87 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE para 2025, e localizada a 27 quilômetros de Natal, a quinta cidade mais populosa do Rio Grande do Norte abriga o Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo – PAX (foto – Tribuna do Norte), estrutura apresentada pelo Estado como candidata a receber o equipamento.

A proposta potiguar combina infraestrutura tecnológica já instalada, ambiente científico e acadêmico, integração com o setor produtivo e disponibilidade de energia renovável. O supercomputador deverá contar com cerca de 5 mil GPUs, demandar entre 10 e 15 megawatts de potência contínua e ter custo de manutenção estimado em US$ 50 milhões por ano. A previsão é que o equipamento entre em operação em 2026, mas o Governo Federal ainda não definiu onde a estrutura será instalada.

A candidatura do Rio Grande do Norte é resultado de uma articulação entre o Governo do Estado, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), por meio do Núcleo de Processamento de Alto Desempenho do Instituto Metrópole Digital (NPAD/IMD), e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). O projeto foi apresentado formalmente ao ministério em 30 de dezembro de 2025 e reforçado em 3 março de 2026, quando a governadora Fátima Bezerra entregou documentação técnica e uma carta de endosso subscrita por universidades, instituições de pesquisa e entidades empresariais.

Entre as instituições que apoiam a candidatura estão UFRN, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (Uern), Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Instituto Santos Dumont (ISD), Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), Fecomércio e Sebrae. A articulação amplia o alcance da proposta e evidencia a integração entre academia, pesquisa, governo e setor produtivo.

No centro da candidatura está o PAX. O parque ocupa aproximadamente 50 hectares, possui cerca de 15 mil metros quadrados de edificações e reúne 22 empresas e instituições em operação. A estrutura foi concebida para aproximar universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público, formando um ecossistema voltado à ciência, tecnologia e inovação.

Macaíba também reúne outras instituições estratégicas. O município abriga o Instituto Santos Dumont, responsável pela gestão do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra e do Centro de Educação e Pesquisa em Saúde Anita, além da Escola Agrícola de Jundiaí, vinculada à UFRN. Esse conjunto amplia a capacidade local de conexão entre pesquisa, formação acadêmica, inovação e desenvolvimento tecnológico.

Outro diferencial apresentado pelo Rio Grande do Norte é a matriz energética. Cerca de 99% da energia produzida no Estado tem origem em fontes renováveis, principalmente eólica e solar. Para uma infraestrutura de computação que exige elevada potência de forma contínua, essa característica é apontada como vantagem estratégica, tanto pelo potencial de redução dos custos operacionais quanto pela sustentabilidade ambiental do projeto.

Segundo o Governo do Estado, a localização em uma região com forte disponibilidade de energia renovável poderá representar uma economia significativa ao longo da operação do equipamento. O ex=secretário interino de Desenvolvimento Econômico, Hugo Fonseca, estima que a diferença nos custos operacionais possa chegar a R$ 600 milhões em dez anos.

O supercomputador deverá ser utilizado em pesquisas avançadas e áreas consideradas estratégicas, como inteligência artificial, saúde, transição energética e soberania tecnológica. Com milhares de GPUs, a estrutura terá capacidade de ampliar o processamento necessário para pesquisas de alta complexidade e poderá fortalecer a formação de profissionais especializados.

A disputa, contudo, permanece aberta. O Rio Grande do Norte concorre com outras regiões e cidades brasileiras, incluindo alternativas no Rio de Janeiro e no interior de São Paulo, e a decisão final caberá ao Governo Federal. Ainda assim, a candidatura potiguar reúne em Macaíba elementos que vão além da disponibilidade de um terreno ou de uma estrutura física: há um parque tecnológico em funcionamento, instituições científicas, universidades, empresas, capacidade de pesquisa e uma matriz energética predominantemente renovável.

É justamente essa combinação que coloca Macaíba no centro da estratégia potiguar para receber uma infraestrutura considerada fundamental para o futuro da inteligência artificial no Brasil. Mais do que disputar um investimento bilionário, o Rio Grande do Norte busca consolidar no município um ambiente capaz de conectar computação de alto desempenho, ciência, inovação, formação profissional e desenvolvimento econômico.

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