agosto 2026

Saúde

OMS acusa indústria de ultraprocessados de dificultar combate à obesidade

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, acusou grandes empresas de alimentos de dificultarem políticas públicas voltadas ao combate à obesidade e à promoção de dietas mais saudáveis. A declaração ocorreu após a publicação da investigação transnacional “O Povo contra as Big Food”, realizada pela Agência Pública com parceiros de nove países e coordenada pela Lighthouse Reports.

A apuração identificou 239 ações judiciais contra governos e órgãos reguladores no Brasil, México, Colômbia, Estados Unidos, Reino Unido e Índia entre 2010 e 2025. Segundo a investigação, quase 80% dos processos terminaram em derrotas para a indústria, mas os litígios contribuíram para atrasar regulações. No Brasil, a RDC 24 da Anvisa, criada para estabelecer regras para publicidade de alimentos, permanece sem efeitos práticos há 16 anos, segundo a investigação.

Em entrevista ao The Guardian, parceiro do projeto, Tedros afirmou que atrasos regulatórios geram custos bilionários e podem desestimular governos a adotar medidas de proteção. Entre as ações defendidas pela OMS estão rotulagem nutricional, restrições à publicidade de alimentos não saudáveis e impostos sobre bebidas açucaradas. Para o diretor-geral, o avanço desigual dessas políticas amplia diferenças entre países ricos e nações de baixa e média renda.

O texto destaca que quase 1 bilhão de pessoas viviam com obesidade em 2024. Dietas não saudáveis são apontadas como fator de risco para doenças cardíacas, diabetes e câncer. Tedros também citou avanços na redução de gorduras trans, mas afirmou que a medida é insuficiente diante da dimensão da crise. Para ele, governos devem cooperar na adoção de regras robustas, enquanto empresas deveriam contribuir para as adequações necessárias.

#Obesidade #Ultraprocessados #SaúdePública #Alimentação #OMS

Imagem: IDEC

Igreja Católica

Imagem de Nossa Senhora da Conceição ganha cores e se aproxima de se tornar novo símbolo da fé em Macaíba

A imagem de Nossa Senhora da Conceição, padroeira de Macaíba, começa a revelar a grandiosidade que deverá marcar um novo capítulo da religiosidade do município. Neste domingo (23), o monumento recebeu novas cores e os últimos retoques artísticos, aproximando-se da conclusão. A escultura, instalada ao lado da Igreja Matriz, integra a Praça Padre José Amorim de Souza e já desperta a expectativa dos devotos que veem na obra um futuro símbolo da fé mariana no Rio Grande do Norte. A construção da praça e a instalação da imagem vêm sendo acompanhadas pela comunidade católica desde o início do projeto.

Mais do que uma obra de arte sacra, a imagem carrega uma história de devoção que se confunde com a própria formação de Macaíba. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição tem suas raízes no século XIX, e a tradição registra que a imagem da padroeira foi levada para o templo por iniciativa da família de Fabrício Pedroza.

A partir da conclusão e inauguração do monumento, ganha força entre os fiéis a perspectiva de buscar, junto à Igreja, os caminhos para transformar a Matriz em Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Se concretizado, o projeto poderá ampliar a vocação religiosa e turística de Macaíba, fortalecendo a cidade como destino de peregrinação e consolidando, em torno da padroeira, a identidade de uma terra profundamente marcada pela fé.

O registro deste post é de hoje, domingo, feito pelo memorialista, devoto de Nossa Senhora da Conceição e fotógrafo Marcelo Augusto.

Eleições 2026

Denilson Gadelha reúne apoiadores e anuncia apoio a Neílton e Benes em Macaiba

O vereador de Macaíba Denilson Gadelha promoveu, neste sábado (22), uma reunião política no Arco-Íris Recepções para apresentar os candidatos que terão seu apoio nas eleições. O encontro reuniu apoiadores para o anúncio oficial das candidaturas de Neílton Diógenes, para deputado estadual, e Benes Leocádio, para deputado federal. A mobilização marcou a formalização da escolha política do vereador e contou com a presença de amigos e correligionários que participaram da reunião em apoio aos dois nomes.

Em publicação nas redes sociais, Denilson Gadelha agradeceu a presença dos participantes e destacou a mobilização registrada durante o encontro. Segundo o vereador, a reunião foi marcada pela presença de uma multidão e por manifestações de apoio à caminhada política. Ao agradecer aos participantes, afirmou que o momento reforçou a disposição de seguir unido aos apoiadores e trabalhar pelo município.

#DenilsonGadelha #Macaíba #NeíltonDiógenes #BenesLeocádio #Eleições2026

Música

O maior clássico do brega nasceu em Natal: “Eu não sou cachorro, não!”

Algumas das histórias mais curiosas da música brasileira começam de maneira inesperada. No caso de “Eu Não Sou Cachorro Não”, um dos maiores clássicos do brega, a inspiração surgiu durante uma viagem que tinha Natal como destino.

Waldick Soriano contou, em entrevista ao G1, em 2007, que seguia de Recife para Natal quando o voo atrasou. Impaciente com a espera, um músico de sua equipe reclamou: “Eu não sou cachorro não, rapaz. Esse voo que não chega”. A frase chamou a atenção de Waldick. Durante o caminho, ele criou a melodia e, ao chegar a Natal, pediu um caderno para colocar a ideia no papel.

A canção acabou se transformando em um dos maiores sucessos da música romântica popular brasileira. “Eu Não Sou Cachorro Não” foi gravada por Waldick e lançada em 1972 no LP “Ele Também Precisa de Carinho”, pela RCA Victor. O disco trazia a música como primeira faixa, consolidando aquele refrão que atravessaria gerações. 

Há uma pequena divergência de datas no relato do próprio artista. Na entrevista, Waldick mencionou 1974 como o ano da composição, mas registros fonográficos confirmam que a música já havia sido lançada em 1972. 

O fato é que Natal entrou para essa história de um jeito especial. Entre um atraso de avião, uma reclamação e a inspiração de um artista, nasceu uma canção que virou memória afetiva de milhões de brasileiros. Waldick morreu em 4 de setembro de 2008, aos 75 anos, mas sua voz continua ecoando sempre que alguém canta: “Eu não sou cachorro, não”.

#WaldickSoriano #EuNaoSouCachorroNao #Brega #NatalRN #MusicaBrasileira

História

50 anos depois, morte de JK ganha nova versão oficial sobre o que ocorreu na Dutra

Cinco décadas após a morte de Juscelino Kubitschek, a história do ex-presidente ganhou um novo capítulo. Morto em 22 de agosto de 1976, em uma colisão na Rodovia Presidente Dutra, JK teve o caso reavaliado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, que aprovou, por seis votos a um, relatório concluindo que ele foi vítima de um atentado político durante a ditadura militar.

Juscelino nasceu em Diamantina (MG), em 12 de setembro de 1902. Médico, foi deputado federal, prefeito de Belo Horizonte, governador de Minas Gerais e presidente da República, cargo em que liderou a construção de Brasília e a transferência da capital federal para o Planalto Central. Depois da Presidência, tornou-se senador por Goiás, mandato interrompido pela cassação de seus direitos políticos em 1964.

Em seu último discurso no Senado, em 3 de junho daquele ano, JK classificou a cassação como uma usurpação do direito dos brasileiros de escolher seus governantes. A versão oficial sobre sua morte apontava acidente de trânsito. Familiares e diferentes investigações, porém, questionaram essa conclusão ao longo dos anos.

O relatório aprovado pela comissão aponta 37 fraudes na apuração original, incluindo suposta manipulação de provas e testemunhas, inconsistências periciais, alteração do horário do óbito e falhas na preservação da cena. A relatora Maria Cecília Adão afirmou haver elementos que sustentam a hipótese de atentado. A comissão informou ainda que trabalhará para retificar a certidão de óbito de JK, conforme a Resolução 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça.

#JuscelinoKubitschek #50AnosSemJK #HistóriaDoBrasil #DitaduraMilitar #Brasília

Mobilidade Urbana

Macaíba inicia recapeamento de ruas do Centro neste sábado

A Prefeitura de Macaíba inicia neste sábado (22) uma nova etapa de recapeamento asfáltico em vias do Centro e do Vilar de Baixo. Os serviços começam às 7h e são executados pela Secretaria de Infraestrutura. Nesta fase, as intervenções alcançam a Travessa Alice de Lima e Melo, ao lado da sede da Prefeitura, a Rua Doutor Heráclito Vilar, nas proximidades da Escola Doutor Severiano, e a Travessa Francisco da Silva Macaíba, lateral das escolas Doutor Severiano e Paulo Nobre.

Na Travessa Alice de Lima e Melo, o recapeamento ocorre após uma intervenção de recuperação da drenagem pluvial, seguida pela reconstrução da via com pavimentação em paralelepípedo. O trecho passa agora a receber uma nova camada de asfalto.

A Rua Doutor Heráclito Vilar e a Travessa Alice de Lima e Melo também receberam serviços de manutenção e preparação antes da aplicação do novo pavimento. Para a execução da obra, haverá interdições nas vias contempladas e em seus acessos.

A Secretaria de Infraestrutura orienta motoristas e moradores a redobrarem a atenção durante os trabalhos e, sempre que possível, optarem por rotas alternativas. A programação integra as ações de melhoria da infraestrutura viária do município.

#Macaíba #Infraestrutura #RecapeamentoAsfáltico #Obras #RioGrandedoNorte

Imagem: Guilherme dos Anjos

Cultura

Dia do Folclore celebra tradições que preservam a identidade cultural brasileira

Celebrado em 22 de agosto, o Dia do Folclore chama atenção para a importância de preservar e estudar as manifestações que ajudam a contar a história e a identidade cultural dos povos. A data remete a 1846, quando o escritor britânico William John Thoms criou o termo “folklore”, resultado da junção de “folk”, povo, e “lore”, saber ou conhecimento.

No Brasil, a comemoração foi oficializada em 17 de agosto de 1965, pelo Decreto nº 56.747, durante o governo de Humberto de Alencar Castello Branco. A iniciativa estabeleceu a data como referência nacional e incentivou ações de valorização do folclore em instituições de ensino e espaços culturais.

A riqueza do folclore brasileiro é resultado da contribuição de diferentes matrizes culturais, especialmente indígenas, africanas e portuguesas. Danças, músicas, festas, comidas, costumes, contos e lendas integram esse patrimônio, representado por personagens como Saci, Curupira, Iara, Boto, Mula sem Cabeça e Boitatá. Na literatura e nos estudos do tema, nomes como Mário de Andrade, Monteiro Lobato, Ariano Suassuna, Luís da Câmara Cascudo e Deífilo Gurgel tiveram papel relevante.

No Rio Grande do Norte, essa tradição permanece presente em manifestações como Boi-de-Reis, Boi Calemba, Bambelô, Araruna, Pastoril, Lapinha, Fandango e Congos. O estado também é referência pelo legado de Câmara Cascudo, autor do Dicionário do Folclore Brasileiro. A data reforça que preservar essas expressões significa manter vivas práticas, histórias e saberes transmitidos entre gerações.

#DiaDoFolclore #FolcloreBrasileiro #CulturaPopular #FolclorePotiguar #CulturaDoRN

Imagem: AgoraRN

Saúde

Doação de sangue terá novas regras em 30 de setembro

O Ministério da Saúde atualizou as regras para doação de sangue. A Portaria GM/MS nº 11.685/2026 entra em vigor em 30 de setembro e reduz prazos de inaptidão temporária, além de ampliar a possibilidade de doação para alguns grupos.

Entre as novidades, doadores regulares poderão continuar doando após os 70 anos, desde que sejam considerados aptos na avaliação clínica. Tatuagem, maquiagem definitiva e procedimentos estéticos poderão exigir sete dias de espera quando houver comprovação de regularidade sanitária. Sem essa comprovação, o prazo será de quatro meses. Endoscopia e colonoscopia passam a exigir quatro meses, enquanto a espera após cirurgia bariátrica cai para seis meses.

A nova regulamentação prevê o retorno à doação de pessoas que concluíram tratamento contra o câncer há pelo menos cinco anos, com exceções. Também atualiza critérios relacionados a infecções, medicamentos, PrEP e exposição à malária, além de reforçar a rastreabilidade das bolsas e permitir validade de até sete dias para concentrados de plaquetas, sob condições específicas.

Em 2025, o SUS registrou 3.264.138 coletas. A doação depende de triagem clínica, boas condições de saúde e peso mínimo de 50 quilos. Interessados devem procurar o hemocentro mais próximo para verificar a aptidão.

Imagem: GovBr

#DoaçãoDeSangue #Hemoterapia #MinistérioDaSaúde #SaúdePública #SUS

Saúde

Macaíba promove Dia D de Multivacinação para crianças e adolescentes neste sábado (22)

A Prefeitura de Macaíba, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promove neste sábado, 22 de agosto, o Dia D da Campanha de Multivacinação para atualização da caderneta de vacinação. A mobilização acontecerá das 8h às 13h em diversas Unidades Básicas de Saúde da zona urbana e rural, além de um polo extra instalado na Secretaria Municipal de Saúde, ao lado da Prefeitura.

A ação faz parte da estratégia de ampliação da cobertura vacinal e é destinada a crianças e adolescentes menores de 15 anos (até 14 anos, 11 meses e 29 dias). Estarão disponíveis todas as vacinas previstas no Calendário Nacional de Vacinação para esse público. Para receber o atendimento, é necessário apresentar a caderneta vacinal, o CPF e o cartão do SUS.

Na zona urbana, o atendimento estará disponível nas UBS Potengi, Campo Santo, José Coelho, Campo das Mangueiras, Campo da Santa Cruz, Morada da Fé, Vila São José I, Campinas, Loteamento Esperança, Anexo Pé do Galo e Auta de Souza. Na zona rural, ocorrerá em Mangabeira I, Mangabeira II, Riacho do Sangue, Cana Brava, Traíras, Lagoa do Sítio, Capoeiras, Lagoa dos Cavalos, As Marias e Bela Vista. Haverá também um ponto de atendimento na Secretaria Municipal de Saúde.

Manter a caderneta de vacinação atualizada é uma forma de proteger crianças e adolescentes contra doenças preveníveis e contribuir para a saúde de toda a população. A vacinação é gratuita e continua sendo uma das principais medidas de prevenção.

Tecnologia

Supercomputador de R$ 1 bilhão reforçará soberania digital do Brasil a partir de Macaíba

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira (20) um edital estimado em R$ 1 bilhão para a aquisição de um supercomputador voltado à inteligência artificial e à soberania digital. O equipamento será instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte, com operação prevista para 2027.

Com capacidade de 7,2 mil petaflops, a máquina deverá figurar entre as dez mais potentes do mundo para aplicações de inteligência artificial. O equipamento apoiará pesquisas e soluções para o poder público, universidades e empresas. A iniciativa integra o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, com R$ 23 bilhões previstos.

Durante a cerimônia, Lula afirmou que a escolha do RN busca reduzir desigualdades regionais e desconcentrar investimentos científicos e tecnológicos, hoje concentrados principalmente no Sul e no Sudeste. Lula defendeu oportunidades para pesquisadores e jovens qualificados no Nordeste.

O governo também anunciou a compra de um um supercomputador a ser instalado no Rio de Janeiro, além de ações do plano, como modelos nacionais de IA em português e espanhol, chips RISC-V, a Nuvem Brasileira e um centro de pesquisa sobre transparência e segurança em IA.

O presidente esteve acompanhado da governadora Fátima Bezerra, das ministras Luciana Santos, Esther Dweck e Miriam Belchior e do presidente da Câmara, Hugo Motta; autoridades acadêmicas, prefeitos e lideranças de movimentos sociais. Também participaram os vereadores de Macaíba Ismarleide Duarte, Rita de Cássia, Socorro Nogueira, Reginaldo e Denilson Gadelha, além de secretários municipais, que representaram o Executivo. 

#Macaíba #InteligênciaArtificial #Tecnologia #RioGrandeDoNorte #SoberaniaDigital

Memórias

Para não esquecer o Brasil que ficou para trás

Há momentos em que uma sociedade precisa olhar para trás não para alimentar ressentimentos, mas para não perder a capacidade de distinguir memória de narrativa. Comparar Lula e Bolsonaro, portanto, não deveria ser apenas uma disputa entre PT e PL, direita e esquerda. É também uma discussão sobre valores, prioridades e sobre o modelo de sociedade que cada projeto político representa. O período de 2019 a 2022 deixou episódios que, pela gravidade ou pelo simbolismo, merecem ser lembrados. Não para condenar milhões de brasileiros que votaram em Bolsonaro, mas para recordar fatos que aconteceram sob seu governo e em torno da cultura política que ele ajudou a consolidar.

Um dos capítulos mais dolorosos foi a pandemia. O Brasil ultrapassou a marca de 700 mil mortes por Covid 19, enquanto o governo federal protagonizava uma condução marcada por conflitos, resistência a recomendações científicas e sucessivas controvérsias. Luiz Henrique Mandetta, ministro da Saúde no início da crise, deixou o cargo depois de divergências com Bolsonaro sobre a condução da emergência sanitária. Seu sucessor, o general Eduardo Pazuello, permaneceu à frente da pasta durante uma das fases mais críticas da pandemia. A história política brasileira produziu depois uma cena curiosa: Mandetta disputou uma vaga no Senado por Mato Grosso do Sul em 2022 e não foi eleito, enquanto Pazuello foi eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro. O episódio diz muito sobre aquele ambiente político, embora não permita concluir que o eleitorado tenha simplesmente escolhido entre os dois. Mandetta obteve 206.093 votos; Pazuello, 205.324. Um perdeu, o outro ganhou.

A pandemia também expôs uma diferença de comportamento que permanece no imaginário nacional. Enquanto hospitais lotavam e famílias procuravam oxigênio, Bolsonaro participava de motociatas e eventos políticos. A imagem de um presidente percorrendo ruas em meio à crise sanitária contrastava com a ausência de uma presença presidencial nos hospitais que enfrentavam o colapso. O número de mortos transformou a pandemia em uma das maiores tragédias da história brasileira. É possível discutir responsabilidades individuais, decisões administrativas e circunstâncias internacionais, mas é impossível recontar aquele período sem lembrar o ambiente político em que essas escolhas foram tomadas.

Na área ambiental, outro capítulo ganhou nome próprio. Em uma reunião ministerial realizada em abril de 2020, o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, defendeu aproveitar a atenção da sociedade concentrada na pandemia para promover mudanças regulatórias. A expressão usada por ele, “passar a boiada”, tornou-se símbolo das críticas à política ambiental daquele período. O vídeo da reunião veio a público por decisão do Supremo Tribunal Federal e transformou uma fala interna do governo em uma das imagens mais marcantes daquela administração. O contraste eleitoral também chama atenção. Em 2022, Ricardo Salles foi eleito deputado federal por São Paulo com 640.918 votos. Marina Silva, histórica defensora da Amazônia e ex-ministra do Meio Ambiente, também foi eleita, mas recebeu 237.526 votos. Não há nada de ilegítimo no resultado. O eleitor tem liberdade para escolher quem quiser. O dado, porém, é expressivo demais para ser ignorado quando se tenta compreender os valores que encontravam espaço naquela conjuntura.

Houve também episódios relacionados à credibilidade das próprias autoridades. O caso mais conhecido foi o de Carlos Alberto Decotelli, escolhido por Bolsonaro para comandar o Ministério da Educação em 2020. Antes mesmo de assumir, seu currículo começou a ser questionado. A Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, negou que ele tivesse obtido o doutorado que constava de sua trajetória. A Universidade de Wuppertal, na Alemanha, também contestou a informação sobre um pós-doutorado. A Fundação Getulio Vargas informou que Decotelli não havia sido professor titular da instituição, como aparecia em sua apresentação profissional. Também foram apontadas inconsistências e indícios de plágio em seu trabalho acadêmico. Diante da repercussão, ele deixou de assumir o ministério.

Outro episódio envolveu o próprio Ricardo Salles. Antes de chegar ao Ministério do Meio Ambiente, ele apresentava em seu currículo um mestrado em Direito Público pela Universidade Yale, nos Estados Unidos. A informação foi desmentida pela universidade, que afirmou não ter registro de que Salles tivesse estudado na instituição. Posteriormente, ele atribuiu a informação a um erro de sua assessoria. O caso ganhou repercussão justamente porque não se tratava de um currículo apresentado por um candidato desconhecido, mas de alguém que ocupava uma das principais posições da República em uma área especialmente sensível para o Brasil.

Damares Alves, escolhida para comandar o Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, também teve sua formação acadêmica questionada. Ela havia se apresentado publicamente como mestre em Educação, Direito Constitucional e Direito da Família. Quando as informações foram verificadas, sua própria assessoria esclareceu que ela não possuía mestrado acadêmico nessas áreas. Damares posteriormente explicou que utilizava o termo “mestre” em referência à sua atuação no ensino bíblico. A explicação é parte importante da história, mas não muda o fato de que os títulos acadêmicos, no sentido formal apresentado ao público, não existiam.

Esses episódios de currículo precisam ser tratados com alguma precisão. Não são todos iguais e não devem ser colocados no mesmo saco. No caso de Decotelli, universidades contestaram diretamente títulos e vínculos acadêmicos. No caso de Salles, Yale negou a formação que constava de sua apresentação. No caso de Damares, a própria assessoria esclareceu que os títulos acadêmicos não existiam. O ponto comum não é afirmar que todos praticaram a mesma fraude, mas lembrar que pessoas indicadas para funções de Estado chegaram ao centro do governo acompanhadas de informações curriculares que precisaram ser corrigidas, desmentidas ou explicadas.

Aquele período também foi marcado por outras situações que provocaram indignação. Em 2022, o então ministro da Educação Milton Ribeiro foi envolvido em um episódio de disparo acidental de arma de fogo dentro do aeroporto de Brasília. O caso ganhou repercussão nacional e levantou novamente a discussão sobre armas, responsabilidade e tratamento dispensado a autoridades. Não é preciso transformar o episódio em algo maior do que ele foi para reconhecer que sua ocorrência dentro de um aeroporto, envolvendo um ministro de Estado, era suficientemente grave para merecer atenção pública.

Fora do núcleo estritamente governamental, o ambiente social daquele período também registrou acontecimentos que ajudam a entender o clima de radicalização. Houve casos de violência política e episódios envolvendo símbolos e manifestações nazistas tratados por alguns como simples expressão de opinião. É importante fazer uma distinção: liberdade de expressão é fundamento da democracia, mas não transforma apologia ao nazismo ou manifestações de ódio em direitos absolutos. Uma sociedade democrática precisa ser capaz de estabelecer limites entre opinião, divergência e práticas que atentam contra a própria dignidade humana.

Também é impossível falar daquele ambiente sem mencionar a desigualdade que atravessa o Brasil. Durante o governo Bolsonaro, declarações de autoridades provocaram críticas por exporem uma visão de mundo percebida por muitos como profundamente hierarquizada. O então ministro da Economia, Paulo Guedes, reclamou publicamente que, com o dólar baixo, até empregadas domésticas estavam viajando para a Disney. O comentário causou forte reação justamente porque transformava o acesso de trabalhadores ao consumo e ao turismo em motivo de incômodo. Na Educação, o ministro Abraham Weintraub afirmou que universidades não eram destinadas a todos e defendeu a ampliação da formação técnica. Novamente, a discussão ultrapassava a política partidária: tratava-se de que lugar a universidade, a cultura e as oportunidades deveriam ocupar na vida dos brasileiros.

Na mesma linha, a então ministra Damares Alves ficou conhecida pela declaração de que meninos vestiriam azul e meninas, rosa. A frase ganhou dimensão nacional porque condensava uma visão conservadora sobre gênero que ultrapassava a preferência pessoal e entrava no discurso oficial de governo. Ao mesmo tempo, o Brasil continuava convivendo com desigualdades raciais profundas, enquanto políticas de inclusão e cotas eram frequentemente colocadas em dúvida. Em algumas regiões, comunidades religiosas de matriz africana também enfrentavam ataques e intolerância. Tudo isso fazia parte de uma discussão maior sobre quem é reconhecido, respeitado e protegido em uma sociedade.

E havia ainda o velho problema da relação entre poder público, família e interesses privados. O debate político daquele período foi alimentado por acusações, investigações e controvérsias envolvendo familiares de Bolsonaro, assim como por episódios anteriores relacionados a gabinetes parlamentares, funcionários e relações políticas. Mas é justamente aqui que a memória precisa ser responsável. Não se deve transformar suspeita em condenação nem acusação em fato consumado. A democracia exige investigação, prova e devido processo. O mesmo rigor deve valer para todos, independentemente do sobrenome, do partido ou da ideologia.

Também é preciso lembrar que Bolsonaro não inventou todos os problemas brasileiros. Racismo, desigualdade, violência, intolerância religiosa, corrupção e privilégios atravessam governos e gerações. O chamado “orçamento secreto”, por exemplo, tornou-se um dos maiores símbolos da opacidade na distribuição de recursos públicos durante o período, mas o problema da relação entre Congresso e Executivo não começou nem terminou naquele governo. Da mesma forma, denúncias envolvendo corrupção não podem ser usadas seletivamente conforme a conveniência política de cada lado.

É justamente por isso que a discussão mais importante talvez não seja quem roubou mais, quem gritou mais alto ou qual partido merece mais confiança. É sobre qual país queremos ser. Um país em que homem tenha mais valor que mulher? Em que heterossexual seja tratado como superior a homossexual? Em que branco tenha mais oportunidades que negro? Em que rico tenha direitos mais amplos que pobre? Em que referências europeias e norte-americanas sejam automaticamente consideradas superiores às brasileiras? Ou uma sociedade que reconheça a dignidade de todos, independentemente de origem, cor, gênero, religião ou condição econômica?

O Brasil de 2019 a 2022 foi atravessado por essa disputa de valores. Houve a pandemia, as mortes, as brigas no Ministério da Saúde, a troca de ministros, as controvérsias ambientais, a “boiada”, os currículos desmentidos, o episódio de Milton Ribeiro, declarações de autoridades, conflitos culturais, armas, radicalização política e uma sucessão de acontecimentos que ainda provocam discussões. Nenhum desses fatos precisa ser exagerado para ser lembrado. Eles já têm peso suficiente por aquilo que efetivamente aconteceu.

Talvez a melhor maneira de olhar para aquele período seja sem a paixão que costuma acompanhar as eleições. Bolsonaro teve milhões de votos e continua representando uma parcela significativa da sociedade brasileira. Seus eleitores não podem ser reduzidos aos erros de seu governo. Da mesma forma, os erros de Lula ou de qualquer outro governo não definem automaticamente todos os seus eleitores. Democracia adulta exige essa separação.

Mas memória não é perseguição. Recordar que Mandetta perdeu enquanto Pazuello venceu, que Salles recebeu mais votos que Marina, que currículos oficiais precisaram ser corrigidos e que decisões tomadas durante a pandemia tiveram consequências humanas enormes não significa negar a legitimidade das urnas. Significa apenas não permitir que a passagem do tempo transforme fatos em esquecimento.

Um país que esquece rapidamente corre o risco de repetir seus próprios erros com a tranquilidade de quem acredita estar vivendo uma novidade. O Brasil não precisa escolher entre memória e reconciliação. Pode fazer as duas coisas. Pode seguir adiante sem apagar o que aconteceu. E talvez seja justamente essa a maturidade que mais falta à nossa política: aprender com o passado sem transformar a lembrança em ódio, mas também sem permitir que a nostalgia reescreva a história.

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Imagem: O Globo

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