
O desempenho de Augusto Cury no debate da Band provocou uma reação curiosa nas redes: “Sou de esquerda e vou votar no Cury”. Mas transformar boa oratória em projeto de país é um salto perigoso. Foi fácil Cury se destacar diante do “agressivo” Renan Santos e do jurássico Ronaldo Caiado, mas um debate não substitui propostas, alianças e capacidade de governar.
O candidato do Avante repete que não precisa do poder nem do dinheiro público porque já é rico e deseja apenas ajudar o Brasil. A insistência nessa imagem, que soa demagógica, de desprendimento, porém, merece questionamento. Se a proposta é romper com a velha política, é legítimo perguntar que mudanças concretas pretende fazer e como pretende construir maioria no Congresso. Ele vai abrir mão dos palácios, cartões corporativos, trocar os aviões presidenciais por voos comerciais e dispensar banquetes?
Há ainda contradições que não podem ser ignoradas. Cury afirmou que seu ministro da Segurança seria Ronaldo Caiado, embora se apresente fora dos rótulos ideológicos de direita-centro-esquerda e como alternativa. À CNN, segundo o material, defendeu o perdão aos envolvidos nos crimes de 8 de janeiro, numa demonstração de total desrespeito às leis e à nossa democracia. Ao UOL, declarou que pretende trabalhar por um regime semipresidencialista e citou Tarcísio de Freitas como nome ideal para primeiro-ministro. Logo Tarcísio, principal bolsonarista do país.
Também é preciso olhar para a governabilidade. O Avante tem apenas cinco deputados federais entre as 513 cadeiras da Câmara. Nenhum presidente governa sozinho. Como Cury diz que o fará. Negociar com o Congresso faz parte da democracia, mas vender a imagem de independência absoluta é diferente de explicar como essa relação funcionará. Seu candidato a vice tem seis mandatos de deputado federal. Então, onde está a coerência da sua repulsa à política tradicional?
Cury pode ser inteligente, preparado e eloquente. Isso, contudo, não basta para administrar um país. Antes de transformá-lo em “salvador da pátria”, como Collor foi um dia e Jair Messias Bolsonaro também, é preciso conhecer suas ideias sobre economia, SUS, salário mínimo, aposentadoria, empregos, direitos trabalhistas e equilíbrio fiscal. O Brasil já aprendeu que discursos sedutores não garantem bons governos.
Estamos tratando de um coach dos anos 90, é um Pablo Marçal que estudou de verdade;
Augusto cury é um Pablo Marçal Gourmet; até dia desses faziam live juntos. Logo com Pablo Marçal, um dos piores quadros que a política brasileira nos apresentou nas últimas décadas.
Cortes de internet não são suficientes para entregarmos o destino de milhões de brasileiros nas mãos de quem quer que seja.
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