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O que a extrema-direita celebra neste 7 de Setembro?

Chega o 7 de Setembro. As ruas se enchem de verde e amarelo, as bandeiras tremulam, os hinos lembram que, um dia, o Brasil decidiu que seu destino não seria escrito por mãos estrangeiras.

Mas há uma pergunta incômoda no ar: o que fará, nesse dia, o bolsonarismo que transformou a bandeira dos Estados Unidos em adereço político?

É uma pergunta difícil porque independência, para qualquer país, significa soberania. Significa defender seus interesses, negociar de igual para igual e não pedir a uma potência estrangeira que pressione o próprio país para salvar um projeto político.

Enquanto setores do bolsonarismo celebram alianças com Donald Trump e pedem medidas contra o Brasil, Washington impõe novas tarifas sobre produtos brasileiros. As sobretaxas já atingem parcela relevante das exportações e aumentam a desvantagem dos nossos produtos no mercado americano.

E então chega o paradoxo: no Dia da Independência, quem ostenta a bandeira americana precisará explicar por que comemora a independência brasileira enquanto torce para que uma potência estrangeira aperte o parafuso sobre nossa economia.

Talvez seja hora de separar patriotismo de torcida política.

Porque gostar dos Estados Unidos é perfeitamente legítimo. Admirar sua cultura também. O que parece estranho é comemorar a própria independência enquanto se pede ao estrangeiro que castigue o país.

No 7 de Setembro, a pergunta permanecerá pendurada no céu, ao lado dos fogos e das bandeiras: independência de quem, afinal?

#7DeSetembro #IndependênciaDoBrasil #SoberaniaNacional #Brasil #Política

Ilustração: Quinho

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Bresser-Pereira classifica eventual governo de Flávio Bolsonaro como “violência contra os pobres”

O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira declarou que uma eventual gestão do senador Flávio Bolsonaro na Presidência da República representaria um cenário de retrocesso político, econômico e social para o país. A avaliação foi feita durante conversa divulgada nas redes sociais pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Nabil Bonduki, na qual o economista, de 92 anos, analisou os rumos do desenvolvimento brasileiro. Segundo a tese defendida por Bresser-Pereira há 25 anos, a economia nacional vive um regime de semi-estagnação originado na crise da dívida externa dos anos 1980 e aprofundado pelas políticas econômicas adotadas nas décadas seguintes.
Na visão de Bresser-Pereira, expoente da corrente do novo desenvolvimentismo, o Brasil perdeu dinamismo e sofreu um forte processo de desindustrialização a partir da abertura comercial e financeira iniciada no governo Fernando Collor. Em termos gerais, a lógica neoliberal mencionada pelo economista prioriza a redução da interferência do Estado na economia, a ampla abertura dos mercados e o protagonismo do setor financeiro. O ex-ministro argumenta que esse modelo entregou os rumos do país aos interesses de capitalistas rentistas e agentes do mercado financeiro, limitando o fortalecimento da indústria nacional e mantendo a dependência em relação às nações mais ricas.
Ao avaliar a evolução histórica do cenário nacional, Bresser-Pereira destacou que o país registrou crescimento expressivo entre 1930 e 1980, interrompido pelo endividamento externo e pelo rigoroso ajuste fiscal decorrente da crise. Ele apontou que os governos posteriores, inclusive a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mantiveram a orientação neoliberal. O economista observou ainda que, embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenha registrado expansão econômica impulsionada pelo ciclo de alta das commodities, o processo de desindustrialização permaneceu em curso. Para superar esse quadro, ele defende a construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento focada na recuperação industrial e na geração de empregos.
Ao projetar o futuro político do Brasil, o ex-ministro enfatizou que um governo comandado por Flávio Bolsonaro significaria a manutenção do subdesenvolvimento e a submissão aos interesses de potências estrangeiras, lideradas pelos Estados Unidos. Em suas palavras, uma gestão sob essa liderança seria “um horror politicamente, economicamente, socialmente, uma violência contra os pobres, uma violência contra o país, uma entrega do Brasil aos Estados Unidos”.
#BresserPereira #EconomiaBrasileira #PoliticaNacional #DesenvolvimentoEconomico #Desindustrializacao
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A quem Augusto Cury quer enganar?

Cury e Pablo Marçal

O desempenho de Augusto Cury no debate da Band provocou uma reação curiosa nas redes: “Sou de esquerda e vou votar no Cury”. Mas transformar boa oratória em projeto de país é um salto perigoso. Foi fácil Cury se destacar diante do “agressivo” Renan Santos e do jurássico Ronaldo Caiado, mas um debate não substitui propostas, alianças e capacidade de governar.

O candidato do Avante repete que não precisa do poder nem do dinheiro público porque já é rico e deseja apenas ajudar o Brasil. A insistência nessa imagem, que soa demagógica, de desprendimento, porém, merece questionamento. Se a proposta é romper com a velha política, é legítimo perguntar que mudanças concretas pretende fazer e como pretende construir maioria no Congresso. Ele vai abrir mão dos palácios, cartões corporativos, trocar os aviões presidenciais por voos comerciais e dispensar banquetes?

Há ainda contradições que não podem ser ignoradas. Cury afirmou que seu ministro da Segurança seria Ronaldo Caiado, embora se apresente fora dos rótulos ideológicos de direita-centro-esquerda e como alternativa. À CNN, segundo o material, defendeu o perdão aos envolvidos nos crimes de 8 de janeiro, numa demonstração de total desrespeito às leis e à nossa democracia. Ao UOL, declarou que pretende trabalhar por um regime semipresidencialista e citou Tarcísio de Freitas como nome ideal para primeiro-ministro. Logo Tarcísio, principal bolsonarista do país.

Também é preciso olhar para a governabilidade. O Avante tem apenas cinco deputados federais entre as 513 cadeiras da Câmara. Nenhum presidente governa sozinho. Como Cury diz que o fará. Negociar com o Congresso faz parte da democracia, mas vender a imagem de independência absoluta é diferente de explicar como essa relação funcionará. Seu candidato a vice tem seis mandatos de deputado federal. Então, onde está a coerência da sua repulsa à política tradicional?

Cury pode ser inteligente, preparado e eloquente. Isso, contudo, não basta para administrar um país. Antes de transformá-lo em “salvador da pátria”, como Collor foi um dia e Jair Messias Bolsonaro também, é preciso conhecer suas ideias sobre economia, SUS, salário mínimo, aposentadoria, empregos, direitos trabalhistas e equilíbrio fiscal. O Brasil já aprendeu que discursos sedutores não garantem bons governos.

Estamos tratando de um coach dos anos 90, é um Pablo Marçal que estudou de verdade;

Augusto cury é um Pablo Marçal Gourmet; até dia desses faziam live juntos. Logo com Pablo Marçal, um dos piores quadros que a política brasileira nos apresentou nas últimas décadas.

Cortes de internet não são suficientes para entregarmos o destino de milhões de brasileiros nas mãos de quem quer que seja.

#AugustoCury #Eleições2026 #PolíticaBrasileira #Presidência #Democracia

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Pneus, antenas e detergente: como a desinformação alimenta o extremismo

A escalada da radicalização política no Brasil tem sido impulsionada por táticas de desinformação que convertem atos regulatórios de órgãos de fiscalização em guerras culturais. O diagnóstico foi apresentado pela socióloga, ativista e política Aava Santiago em análise divulgada nas redes sociais. Segundo a especialista, o acionamento sistemático de narrativas extremistas atua como estratégia tática para inflar as bases eleitorais e desviar a atenção da opinião pública diante do avanço de investigações policiais e financeiras de grande porte.
O episódio mais recente envolve a fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a fabricante Ypê. A inspeção do órgão sanitário determinou a suspensão e o recolhimento de lotes de produtos da empresa após a constatação de riscos à saúde pública, como falhas de especificação, equipamentos corroídos e risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. Embora a própria empresa tenha reconhecido o caso e declarado colaboração com as autoridades, setores da extrema-direita passaram a atacar a agência e a incitar a população contra as medidas preventivas.
De acordo com Santiago, a reação ao caso da Anvisa segue a mesma fórmula de outros episódios emblemáticos de delírio coletivo e radicalismo registrados no país nos últimos anos. Entre os fatos citados pela socióloga estão os manifestantes que rezaram para pneus, os que colocaram celulares na cabeça na tentativa de comunicação extraterrestre, os idosos que adoeceram acampados sob chuva por não aceitarem os resultados eleitorais e o homem que se agarrou ao para-brisa de um caminhão em movimento.
A análise relembra ainda atos de violência política de maior gravidade, como o atentado cometido por Francisco Wanderley Luiz (conhecido como “Tio França”), que usou explosivos contra si mesmo em frente às instituições republicanas em Brasília. Para a ativista, ao transformar procedimentos técnicos de vigilância sanitária em teorias da conspiração, lideranças políticas colocam a saúde da população em perigo e alimentam um ciclo contínuo de desinformação para proteger interesses operacionais e financeiros.
#Politica #Anvisa #Radicalismo #DireitosHumanos #Sociedade
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A força dos prefeitos bem avaliados deve influenciar o cenário eleitoral no Rio Grande do Norte

À medida que o calendário eleitoral avança para o período das convenções partidárias, um dos fatores que mais tende a influenciar a formação dos palanques e a estratégia dos candidatos é a força política dos prefeitos que chegam ao pleito respaldados por elevados índices de aprovação administrativa. Em um cenário marcado por maior acesso da população à informação e por uma avaliação cada vez mais cotidiana da atuação dos gestores públicos, prefeitos com reconhecimento popular consolidam importante capacidade de mobilização política. Dentro dos limites estabelecidos pela legislação eleitoral vigente, a popularidade de uma administração municipal pode representar um ativo relevante para alianças e projetos eleitorais, especialmente em municípios de grande densidade eleitoral.

No Rio Grande do Norte, alguns gestores aparecem como exemplos desse protagonismo. Em Macaíba, Emídio Júnior venceu sua primeira eleição para prefeito, em 2020, com 59,54% dos votos e foi reeleito em 2024 com 63,75%. Ao longo do primeiro mandato, levantamentos de opinião registraram índices superiores a 68% de aprovação e, já no início da atual gestão, pesquisas apontaram aprovação de 75,2%. Em Parnamirim, a prefeita Professora Nilda foi eleita em 2024 com 46,92% dos votos válidos. Em São Gonçalo do Amarante, Jaime Calado conquistou a prefeitura com 53,14% dos votos válidos. Também se inserem nesse contexto prefeitos como Judas Tadeu, em Caicó, Marianna Almeida, em Pau dos Ferros, e Marcos Bezerra, em Mossoró, que chegam ao atual momento político exercendo papel de liderança em seus respectivos municípios.

A relevância desse grupo se torna ainda mais evidente quando observados os dados do Tribunal Superior Eleitoral. Macaíba possui o sexto maior colégio eleitoral do Rio Grande do Norte, com 54.368 eleitores aptos a votar. Somados, os eleitorados de Parnamirim, São Gonçalo do Amarante e Macaíba alcançam 279.160 eleitores, correspondendo a aproximadamente 10,5% do eleitorado potiguar. Trata-se de uma parcela significativa do universo de votantes do estado, capaz de influenciar estratégias partidárias, prioridades de campanha e o direcionamento das principais lideranças políticas durante a disputa eleitoral.

A influência política desses prefeitos, contudo, não decorre exclusivamente da dimensão eleitoral de seus municípios. A experiência recente demonstra que gestores bem avaliados costumam ampliar sua capacidade de articulação institucional, estabelecer diálogo com diferentes correntes políticas e viabilizar investimentos por meio de emendas parlamentares e parcerias com outras esferas de governo. O caso de Emídio Júnior ilustra esse movimento ao longo de sua trajetória administrativa, marcada por uma atuação reconhecida pela interlocução com diferentes correntes políticas que não parece prejudicar sua busca de recursos para o município nem barrar as respectivas conquistas. Da mesma forma, lideranças municipais fortalecidas tendem a agregar capital político aos projetos que apoiam, fenômeno observado em diversas regiões do estado. Nesse contexto, nomes como a senadora Zenaide Maia, candidata à reeleição, e o deputado estadual Kléber Rodrigues aparecem entre os beneficiados por alianças com gestores municipais influentes, sempre dentro da dinâmica democrática e das regras eleitorais vigentes.

A eleição deste ano reforça uma característica consolidada da política contemporânea: a credibilidade construída na administração municipal passou a ter peso crescente na formação das preferências eleitorais. Esse processo não representa um retorno a práticas históricas de controle político local, mas reflete uma realidade em que o eleitor acompanha mais de perto os resultados concretos das gestões e identifica quais lideranças conseguem transformar articulação política em investimentos, serviços e obras para seus municípios. Nesse ambiente, prefeitos com elevada aprovação tornam-se importantes referências políticas e institucionais, funcionando como pontes entre candidatos e o eleitorado, especialmente em cidades estratégicas para o resultado estadual, sempre respeitados os princípios da isonomia entre candidaturas e as normas da legislação eleitoral.

#Eleições2026 #PolíticaPotiguar #GestãoMunicipal #RioGrandeDoNorte
#AnálisePolítica

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O tarifaço será a pandemia de Flávio

Na política, há acontecimentos que mudam completamente o rumo de uma eleição. Em 2022, a pandemia de Covid-19 ocupou esse papel. Independentemente da avaliação que cada eleitor faça sobre o governo Jair Bolsonaro, é consenso entre diversos cientistas políticos e analistas eleitorais que a condução da crise sanitária desgastou sua imagem junto a parcelas importantes do eleitorado e influenciou o resultado das urnas. Não foi o único fator da derrota, mas dificilmente pode ser ignorado.

Na opinião da Revista Coité, o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil tem potencial para produzir efeito semelhante sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro. Evidentemente, trata-se de um contexto completamente diferente. Uma pandemia e uma crise comercial não são comparáveis em natureza. O que as aproxima é a percepção pública de responsabilidade política construída durante o debate nacional.

O episódio ganhou dimensão quando integrantes da família Bolsonaro e aliados participaram de encontros e articulações nos Estados Unidos em meio ao agravamento da tensão diplomática entre Washington e Brasília. Posteriormente, diante da repercussão negativa, houve mudanças de discurso e manifestações públicas defendendo a retirada das sanções. Ainda assim, a narrativa de que representantes brasileiros teriam buscado apoio externo em um conflito envolvendo interesses nacionais passou a ser explorada pelos adversários e encontrou espaço no debate público, foi consolidada, virou verdade pétrea. De maior cabo eleitoral, Trump virou  amigo da onça!

O governo de Donald Trump justificou a adoção das tarifas com argumentos ligados à investigação comercial conduzida contra o Brasil. Entre os temas levantados estavam o Pix, políticas comerciais, meio ambiente e outras questões regulatórias. O governo brasileiro contestou as justificativas, classificando-as como inconsistentes e reafirmando que o Pix é um sistema soberano, eficiente e um dos maiores casos de sucesso da inovação financeira brasileira. Hoje, o sistema é reconhecido internacionalmente pela rapidez, segurança e baixo custo, servindo de referência para diversos países que estudam modelos semelhantes.

Também chamam atenção alguns dos argumentos utilizados por Washington. A preocupação declarada com questões ambientais contrasta, na visão de muitos analistas, com o histórico da política ambiental americana. Da mesma forma, críticas relacionadas às condições de trabalho despertam debates sobre a própria legislação trabalhista dos Estados Unidos, frequentemente apontada por especialistas como menos protetiva ao trabalhador do que a brasileira em diversos aspectos. Esses contrastes reforçam, para parte da opinião pública, a percepção de que as tarifas possuem forte componente geopolítico e econômico, voltado à defesa dos interesses americanos.

Outro elemento relevante é a reação do mercado financeiro. Setores tradicionalmente identificados com posições liberais passaram a demonstrar preocupação com os impactos econômicos das tarifas e com o aumento da insegurança nas relações comerciais entre Brasil e Estados Unidos. O tema deixou de ser apenas ideológico e passou a afetar exportadores, investidores, empresas e trabalhadores brasileiros.

Pesquisas recentes de opinião também indicam mudanças de percepção entre parcelas do eleitorado, inclusive entre eleitores identificados com a direita, sobre os efeitos políticos do episódio. O fato é que a Faria Lima, onde habita a parcela mais concentrada do PIB brasileiro, há alguns meses bajulava Flavio e os Bolsonaro como pupilos; hoje lhes cerram as portas.

Contudo, não é possível afirmar desde já qual será o impacto eleitoral definitivo das patacoadas diárias patrocinadas pela direita radical. A história demonstra, porém, que crises nacionais costumam alterar campanhas presidenciais quando atingem diretamente o cotidiano da população.

Definitivamente, o tarifaço não é apenas um embate entre governos. Na prática, seus efeitos recaem sobre empresas, empregos, investimentos e sobre a imagem internacional do Brasil, que tem conseguido se mostrar resiliente e firmado novas alianças comerciais que já ensaiam mais que neutralizar o prejuízo econômico pretendido pelo governo americano ao brasileiro. Quando um conflito externo passa a produzir consequências internas, o eleitor tende a procurar responsáveis. Foi assim durante a pandemia. Na avaliação da Revista Coité, poderá ocorrer fenômeno semelhante com o desgaste provocado pela crise comercial. Se essa percepção continuará crescendo até as próximas semanas, não haverá salvação para a candidatura apoiada por Jair Messias Bolsonaro.

#Tarifaço #FlávioBolsonaro #DonaldTrump #PolíticaBrasileira #Eleições2026

 

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A crise de educação, moral e civismo da Seleção Brasileira

A crise de educação, moral e civismo da Seleção Brasileira escancara um problema que vai muito além da técnica, tática ou da qualidade dos atletas. Claro que todos nós, brasileiros, sonhamos em liberar novamente o grito de hexacampeão, guardado e reprimido há 24 anos, e reviver o futebol espetáculo que alimentou gerações, mesmo em tempos e páginas infelizes da nossa história, como bem diz Chico Buarque. Mas a distância entre esse sonho e a realidade atual é cada vez maior. O que está em jogo não é apenas ganhar ou perder uma Copa, mas a vontade real de suar, sangrar e honrar a camisa que representa milhões de pessoas humildes e trabalhadoras. O que se vê hoje é um time refém do estrelismo, da soberba e da ditadura dos patrocínios multimilionários.

A Seleção Brasileira, que fazia adversários tremerem antes mesmo do apito inicial, não existe mais, e a que aí está é a pior de toda a história. É uma sombra, uma piada sem graça, limitada a placares medíocres que não fazem valer a pena nem o investimento numa camisa falsificada. Os estádios viraram arenas onde somos jogados aos lobos e leões sob os aplausos dos que verdadeiramente honram suas bandeiras e seu povo. Se já tivemos uma Seleção perfeita em talentos individuais e equipe, com vários atletas na artilharia e escolhidos como os melhores do mundo, hoje alguns não teriam vaga nem em clubes de segunda divisão. Para além de um técnico que parece mais cauteloso em escolher a marca de seu chiclete que com a escalação correta, Neymar virou símbolo do que o futebol brasileiro perdeu e teima em não aceitar. É como ligar hoje uma TV de tubo Telefunken e querer assistir a uma partida ao vivo com Garrincha.

O fato é que a medida do valor de um jogador não está mais em sua estante de troféus, mas no tamanho da conta bancária e no número de seguidores nas redes sociais. Zico, ao lado de Pelé, permanece como exemplo maior de respeito, reverenciado mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa.

Espero sinceramente estar enganado, que este texto seja desmentido pelos fatos e que eu tenha que morder a língua; que a minha fé seja fortalecida pela materialização de um verdadeiro milagre. Até lá, resta a amarga constatação de que a crise ética e moral da equipe brasileira é tão profunda quanto a ausência de brilho em campo.

– Repórter Gato Preto, o editor.

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Supersalários no Judiciário: Façam o que eu digo, mas não o que faço!

Ministro Flávio Dino

O Supremo Tribunal Federal está para decidir se confirma a liminar do ministro Flávio Dino que suspendeu pagamentos acima do teto constitucional no serviço público, hoje fixado em R$ 46.366,19, equivalente ao salário dos ministros da Corte. A medida atinge os chamados penduricalhos, verbas classificadas como indenizatórias que, na prática, elevam significativamente os contracheques de uma parcela restrita do funcionalismo. A decisão ocorre após uma sucessão de atos envolvendo o Judiciário, o Executivo e o Legislativo, incluindo veto presidencial a benefícios aprovados pelo Congresso e determinações para que novas leis não ampliem exceções ao teto. O julgamento pode redefinir os limites remuneratórios no país e impor ao Congresso a tarefa de regulamentar de forma clara quais verbas podem, de fato, ultrapassar o limite constitucional.

O ponto central da controvérsia está na brecha que permite que indenizações escapem do teto. Em tese, esses valores deveriam apenas ressarcir despesas eventuais do servidor no exercício da função. Na prática, segundo dados levantados por especialistas e com base em informações oficiais de transparência, tribunais e órgãos passaram a criar adicionais enquadrados como indenizatórios, garantindo dupla vantagem: exclusão do teto e isenção de Imposto de Renda. O resultado é expressivo. Em 2025, o rendimento médio líquido de magistrados da ativa alcançou R$ 81,5 mil mensais, 76 por cento acima do limite constitucional. No Tribunal de Justiça de São Paulo, a média superou R$ 122 mil no último ano, evidenciando o descolamento entre o texto da Constituição e a realidade remuneratória.

Entre os exemplos mais emblemáticos está a chamada licença compensatória, apelidada de escala 3 por 1 do sistema judicial. Magistrados que acumulam funções recebem gratificação e ainda conquistam um dia de folga a cada três trabalhados nessa condição, com possibilidade de converter a folga em dinheiro. Soma-se a isso a autorização para vender até 20 dias de férias por ano, com adicional de um terço calculado em dobro, o que gerou despesas bilionárias aos cofres públicos. Auxílios diversos também chamam atenção, como alimentação superior a R$ 4 mil mensais em alguns tribunais, auxílio-saúde que ultrapassa R$ 10 mil e benefícios educacionais para filhos de magistrados até 24 anos. Pagamentos retroativos reconhecidos administrativamente e honorários de sucumbência destinados a advogados públicos completam a lista, que inclui repasses de R$ 4,7 bilhões apenas em 2025 nessa última rubrica.

Entidades representativas das carreiras jurídicas alegam defasagem salarial e sobrecarga de trabalho para justificar as verbas, enquanto acenam com paralisações diante da possível suspensão dos benefícios. Ainda assim, a discussão ultrapassa interesses corporativos e toca o princípio republicano da igualdade perante a lei. O teto constitucional foi concebido como instrumento de racionalidade e justiça fiscal. Quando exceções se multiplicam por atos administrativos e interpretações elásticas, a regra perde autoridade e a confiança pública se desgasta. O julgamento no Supremo não trata apenas de números, mas da credibilidade das instituições e da capacidade do Estado de impor a si mesmo os limites que exige da sociedade.

 

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Não deixe a tecnologia atrofiar sua humanidade

A vida noturna não morreu. Ela foi empurrada para fora do cotidiano por um inimigo mais sutil do que crises econômicas ou mudanças geracionais: a conveniência extrema. Em 2025, indicadores oficiais mostram um crescimento contínuo do trabalho remoto, do consumo por aplicativos e do tempo médio gasto em plataformas de streaming. A promessa é sedutora. Mais eficiência, mais controle, menos riscos. O custo disso, porém, raramente aparece nos gráficos.

O Vale do Silício consolidou a ideia de que ficar em casa é sempre a escolha mais inteligente. Evita deslocamentos, reduz imprevistos e elimina o desconforto social. Do ponto de vista operacional, funciona. Do ponto de vista humano, empobrece. Ao retirar o acaso da equação, também se elimina a surpresa, o encontro inesperado e a construção de memórias que não cabem em algoritmos.

A transformação dos espaços de lazer é um reflexo direto disso. A pista de dança, antes território de anonimato e liberdade, tornou-se um cenário permanentemente vigiado. A câmera do celular substituiu o escuro protetor. Dança-se menos para sentir a música e mais para não errar. O lazer virou performance e a socialização, um exercício de autopreservação. Isso cansa, afasta e esvazia.

Estudos na área de saúde e comportamento apontam que a troca constante de interações reais por estímulos digitais altera a forma como o cérebro responde ao convívio social. A conexão mediada pela tela oferece recompensas rápidas, mas superficiais. A conversa do bar, sem filtros ou edição, exige atenção, escuta e tolerância ao silêncio. Para quem se acostumou ao ritmo da rolagem infinita, isso parece esforço demais.

Os chamados terceiros lugares, conceito amplamente utilizado por sociólogos, sempre foram essenciais para a vida em comunidade. São espaços que não são casa nem trabalho, mas onde se constroem vínculos. Aplicativos de mensagem e servidores virtuais tentam simular essa experiência, mas não reproduzem o contato humano, o esbarrão casual ou a conversa que nasce sem intenção. A perda desses espaços nos tornou mais conectados e, paradoxalmente, mais frágeis socialmente.

A ideia de autocuidado também entrou nessa lógica. Descansar é necessário, sem dúvida. O problema surge quando o descanso vira esconderijo e o isolamento ganha embalagem de bem-estar. Quanto menos se sai, mais se consome conteúdo. Quanto mais se consome, menos vontade há de enfrentar o mundo real. Esse ciclo não é casual. Ele sustenta um modelo econômico que lucra com a solidão.

As memórias que permanecem não nascem da perfeição, mas do imprevisto. Da história que deu errado, da risada fora de hora, do amigo feito na fila do banheiro. Recuperar a vida fora de casa não exige grandes produções nem gastos elevados. Pode ser a calçada, a praça ou o bar simples da esquina. Quando a sexta-feira chegar e o sofá chamar, vale lembrar que a vida acontece do lado de fora da tela. Não deixe a conveniência te aposentar cedo demais da experiência de viver.

Foto: Revista Veja

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20 anos é muito pouco!

A sentença de 20 anos aplicada ao sargento da Polícia Militar Pedro Inácio pela morte e pelo estupro da universitária Zaira Cruz, assassinada durante o carnaval de Caicó em março de 2019, encerrou um julgamento longo, sensível e acompanhado de forte comoção social. O Tribunal do Júri da 2ª Vara Criminal de Natal analisou três dias de oitivas, perícias e debates, até que os jurados reconhecessem o réu como autor do homicídio e dos abusos cometidos contra a jovem de 21 anos. A decisão presidida pelo juiz Valter Flor observou rigorosamente os parâmetros legais, resultando em 14 anos pelo homicídio e 6 anos pelo estupro.

Do ponto de vista técnico, não há reparos à condução do julgamento. O juiz aplicou a dosimetria prevista em lei e o júri exerceu sua função constitucional, amparado em provas periciais e na investigação que apontou estrangulamento e violência sexual como causas da morte. A atuação do Ministério Público e da defesa seguiu o rito processual, inclusive com a repetição da sessão após a anulação do júri anterior, o que reafirma o zelo institucional pelo devido processo legal. São elementos que merecem ser reconhecidos porque expressam a solidez das garantias judiciais.

Ainda assim, para quem observa o caso a partir de um olhar humano, sobretudo para quem é pai ou mãe, é difícil compreender que vinte anos representem punição suficiente diante da brutalidade e da covardia do crime. É uma pena que, embora juridicamente correta, soa pequena diante da perda irreparável de uma vida interrompida aos 21 anos. No Brasil, onde o acesso a recursos e benefícios legais permite significativa remissão de pena, a perspectiva de que o condenado possa conviver novamente em liberdade num prazo relativamente curto reforça a sensação de desalento compartilhada por muitas famílias que enfrentam tragédias semelhantes.

O contraste entre a justiça formal e a justiça moral reaparece quando se pensa que, em poucos anos, o condenado poderá estar nas ruas, talvez até celebrando carnavais como aquele que marcou o encontro fatal entre ele e Zaira. A sociedade reconhece e respeita a técnica do Judiciário, mas também guarda a dolorosa certeza de que nenhum cálculo legal é capaz de traduzir plenamente o valor de uma vida interrompida. O caso expõe, mais uma vez, a necessidade de reflexão contínua sobre a proporcionalidade das penas em crimes de extrema violência contra mulheres.

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Emídio Júnior faz escola ao consolidar gestão inovadora em Macaíba

O prefeito de Macaíba, Emídio Júnior, tem se destacado por fugir do tradicionalismo e da inércia administrativa que por vezes marcam a política municipal. A inauguração da Escola Municipal Iolanda Chaves de Lucena, em Lagoa do Mato, é prova inequívoca desse estilo de gestão. Com energia própria da juventude e criatividade de quem demonstra real compromisso com o desenvolvimento da cidade, o gestor tem adotado uma postura inclusiva, sem barreiras ideológicas ou partidarismos limitantes.

A coragem de investir em cultura popular e destravar gargalos históricos que atravancavam o desenvolvimento social e econômico do município, como o desassoreamento do Jundiaí, também anunciam essa ousadia positiva.

O trânsito político que o prefeito mantém junto a lideranças estaduais, federais e setores produtivos tem lhe permitido estabelecer parcerias estratégicas. Tais articulações resultam não apenas em investimentos, mas também na execução de projetos inéditos para o município, como a construção da nova unidade escolar – considerada por especialistas uma das mais modernas e bem estruturadas do Rio Grande do Norte. Essa conquista já integra o portfólio da Secretaria Municipal de Educação e desponta como um caso de sucesso em âmbito estadual.

O perfil conciliador do prefeito, aliado a sua capacidade de mobilização, amplia seu alcance político e alimenta especulações sobre o futuro. Parte dos observadores acredita que Emídio poderá disputar outros cargos em 2026, abrindo mão da chamada “cadeira número 1” do Executivo municipal. Outros apostam na sua permanência à frente da Prefeitura, consolidando um palanque plural e agregador, marcado pelo compromisso com Macaíba acima de interesses partidários.

Independentemente de seu destino político, Emídio tem demonstrado que coerência e responsabilidade pública não são incompatíveis com inovação. Seu governo tem se pautado por ações que priorizam a população e fortalecem infraestrutura e a educação como vetores de transformação social. Ao evitar vícios comuns da política tradicional, mantém-se fiel a um espírito democrático que, na prática, se traduz em obras e iniciativas concretas.

Seja no comando da Prefeitura, ocupando espaço na Assembleia Legislativa ou em cargos estratégicos no Governo do Estado ou em Brasília, o prefeito de Macaíba sinaliza que continuará agindo com a mesma diretriz: respeito à população e compromisso com o desenvolvimento social. Em tempos de descrédito político, essa postura não apenas o diferencia, mas também reafirma o que deveria ser princípio básico de qualquer gestão pública — servir à sociedade como prioridade absoluta.

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Se continuar como está, não será tão favorito

Quanto tempo do nosso dia estamos realmente dispostos a perder em experiências frustrantes? É uma pergunta que carrega um peso cada vez maior na rotina moderna, onde cada minuto tem valor — principalmente quando se trata dos preciosos momentos de descanso aos fins de semana. E foi justamente esse tempo, que deveria ter sido de tranquilidade, que se esvaiu em estresse neste sábado chuvoso, durante uma visita ansiosamente aguardada por este repórter Gato Preto ao recém-inaugurado Favorito Atacado, em Nova Parnamirim. A promessa nas redes era de encantamento, mas a realidade posta é outra. A expectativa virou decepção, e o que deveria ser um passeio de compras prazeroso se transformou em uma maratona de desorganização.

Mesmo reconhecendo que inaugurações costumam atrair multidões, o que nós vimos ali foi um colapso logístico previsível — e, portanto, evitável. Pesquisa após pesquisa mostra que o consumidor moderno prioriza conforto, agilidade no atendimento e ambiente organizado acima de ofertas pontuais. A variedade de produtos no Favorito Atacado é, de fato, ampla e competitiva. No entanto, de que adianta ter produtos nas prateleiras se o acesso a eles se torna um campo de batalha? Funcionários, visivelmente perdidos, tentavam atender da forma que podiam, adotando a técnica do “salve-se quem puder” quando eram abordados por clientes; enquanto paletes trancavam corredores por mais de 30 ou 40 minutos e as pessoas se esbarravam em aglomerações, tumultos. Com as recorrentes e intermináveis interdições, o que já estava superlotado, ficava mais ainda. Faltou planejamento.

Há estratégias consagradas que poderiam ter sido adotadas para mitigar esse caos: reposição de mercadorias feita fora do horário de pico, organização mais clara das seções, uso de orientadores de fluxo humano, gestão ativa de estacionamento e até sistemas simples de triagem de entrada — práticas comuns em redes que prezam por uma experiência fluida. Afinal, já se sabe que o consumidor retorna não apenas por causa do preço, mas por se sentir bem acolhido. A própria ABRAS (Associação Brasileira de Supermercados) vem reforçando a importância da experiência do cliente como diferencial competitivo no setor.

Outro ponto que decepcionou foi a quebra da expectativa criada por ações promocionais. Ao chegar, fui informado com entusiasmo sobre uma roleta de brindes a cada R$100 em compras. Mas, depois de um verdadeiro teste de paciência no interior da loja e apto a participar 3 vezes  do “roletrando”, simplesmente não havia mais roleta, nem a moça que com muita simpatia me anunciou a promoção, muito menos brindes e explicação. Essa quebra de promessa, por menor que pareça, mina a confiança do cliente e reforça a sensação de amadorismo. É um detalhe? Sim. Mas são os detalhes que constroem a imagem de um negócio.

Tenho grande admiração pelo esforço empreendedor por trás do Favorito Atacado, e justamente por isso acredito que essa crítica tem valor. Quem já trilhou o difícil caminho da gestão sabe que falhas acontecem, mas também sabe que corrigi-las rapidamente é o que diferencia os líderes dos passageiros. Não por acaso, enquanto este repórter peregrinava naquele “campo minado”, avistou seu Manoel Etelvino, sócio-proprietário do Nordestão, passeando na loja concorrente, por onde dava, tranquilamente. Observando preços, o perfil de colaboradores e clientes e contemplando o caos. 

Que o Favorito Atacado encontre esse caminho logo. Mantenha e amplie as oportunidades de emprego geradas com este novo empreendimento; contrate urgentemente alguém que realmente entenda de logística e continue a ajudar o desenvolvimento econômico das regiões e cidades onde mantém lojas. O varejo de hoje exige mais que produtos nas gôndolas — exige inteligência, sensibilidade e, acima de tudo, respeito pelo tempo do consumidor.

Afinal, como me disse uma cliente, que compartilhava comigo as agruras de uma manhã de sábado desagradável, com a sabedoria lúcida dos seus 83 anos, que já viram muitos supermercados nascerem e sumirem: “Não vale a pena sofrer e perder o dia!”

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