A crise de educação, moral e civismo da Seleção Brasileira

A crise de educação, moral e civismo da Seleção Brasileira escancara um problema que vai muito além da técnica, tática ou da qualidade dos atletas. Claro que todos nós, brasileiros, sonhamos em liberar novamente o grito de hexacampeão, guardado e reprimido há 24 anos, e reviver o futebol espetáculo que alimentou gerações, mesmo em tempos e páginas infelizes da nossa história, como bem diz Chico Buarque. Mas a distância entre esse sonho e a realidade atual é cada vez maior. O que está em jogo não é apenas ganhar ou perder uma Copa, mas a vontade real de suar, sangrar e honrar a camisa que representa milhões de pessoas humildes e trabalhadoras. O que se vê hoje é um time refém do estrelismo, da soberba e da ditadura dos patrocínios multimilionários.

A Seleção Brasileira, que fazia adversários tremerem antes mesmo do apito inicial, não existe mais, e a que aí está é a pior de toda a história. É uma sombra, uma piada sem graça, limitada a placares medíocres que não fazem valer a pena nem o investimento numa camisa falsificada. Os estádios viraram arenas onde somos jogados aos lobos e leões sob os aplausos dos que verdadeiramente honram suas bandeiras e seu povo. Se já tivemos uma Seleção perfeita em talentos individuais e equipe, com vários atletas na artilharia e escolhidos como os melhores do mundo, hoje alguns não teriam vaga nem em clubes de segunda divisão. Para além de um técnico que parece mais cauteloso em escolher a marca de seu chiclete que com a escalação correta, Neymar virou símbolo do que o futebol brasileiro perdeu e teima em não aceitar. É como ligar hoje uma TV de tubo Telefunken e querer assistir a uma partida ao vivo com Garrincha.

O fato é que a medida do valor de um jogador não está mais em sua estante de troféus, mas no tamanho da conta bancária e no número de seguidores nas redes sociais. Zico, ao lado de Pelé, permanece como exemplo maior de respeito, reverenciado mesmo sem nunca ter conquistado uma Copa.

Espero sinceramente estar enganado, que este texto seja desmentido pelos fatos e que eu tenha que morder a língua; que a minha fé seja fortalecida pela materialização de um verdadeiro milagre. Até lá, resta a amarga constatação de que a crise ética e moral da equipe brasileira é tão profunda quanto a ausência de brilho em campo.

– Repórter Gato Preto, o editor.

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