5 de setembro de 2026

Opinião

Bresser-Pereira classifica eventual governo de Flávio Bolsonaro como “violência contra os pobres”

O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira declarou que uma eventual gestão do senador Flávio Bolsonaro na Presidência da República representaria um cenário de retrocesso político, econômico e social para o país. A avaliação foi feita durante conversa divulgada nas redes sociais pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Nabil Bonduki, na qual o economista, de 92 anos, analisou os rumos do desenvolvimento brasileiro. Segundo a tese defendida por Bresser-Pereira há 25 anos, a economia nacional vive um regime de semi-estagnação originado na crise da dívida externa dos anos 1980 e aprofundado pelas políticas econômicas adotadas nas décadas seguintes.
Na visão de Bresser-Pereira, expoente da corrente do novo desenvolvimentismo, o Brasil perdeu dinamismo e sofreu um forte processo de desindustrialização a partir da abertura comercial e financeira iniciada no governo Fernando Collor. Em termos gerais, a lógica neoliberal mencionada pelo economista prioriza a redução da interferência do Estado na economia, a ampla abertura dos mercados e o protagonismo do setor financeiro. O ex-ministro argumenta que esse modelo entregou os rumos do país aos interesses de capitalistas rentistas e agentes do mercado financeiro, limitando o fortalecimento da indústria nacional e mantendo a dependência em relação às nações mais ricas.
Ao avaliar a evolução histórica do cenário nacional, Bresser-Pereira destacou que o país registrou crescimento expressivo entre 1930 e 1980, interrompido pelo endividamento externo e pelo rigoroso ajuste fiscal decorrente da crise. Ele apontou que os governos posteriores, inclusive a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mantiveram a orientação neoliberal. O economista observou ainda que, embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenha registrado expansão econômica impulsionada pelo ciclo de alta das commodities, o processo de desindustrialização permaneceu em curso. Para superar esse quadro, ele defende a construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento focada na recuperação industrial e na geração de empregos.
Ao projetar o futuro político do Brasil, o ex-ministro enfatizou que um governo comandado por Flávio Bolsonaro significaria a manutenção do subdesenvolvimento e a submissão aos interesses de potências estrangeiras, lideradas pelos Estados Unidos. Em suas palavras, uma gestão sob essa liderança seria “um horror politicamente, economicamente, socialmente, uma violência contra os pobres, uma violência contra o país, uma entrega do Brasil aos Estados Unidos”.
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Data Importante

Dia Internacional da Caridade homenageia Madre Teresa de Calcutá e reforça papel da solidariedade

O Dia Internacional da Caridade é celebrado em 5 de setembro em todo o mundo para conscientizar a sociedade sobre a importância de erradicar a pobreza e combater o sofrimento humano. A data foi oficialmente estabelecida pela Organização das Nações Unidas em 2012, destacando a necessidade de mobilização global contínua.

A escolha do dia 5 de setembro marca o aniversário da morte de Madre Teresa de Calcutá, ocorrida em 1997. Ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1979, ela é considerada uma referência internacional pelo trabalho prestado aos mais necessitados. Em 12 de agosto de 2021, a Administração Postal das Nações Unidas emitiu um selo definitivo em sua homenagem.

Segundo as Nações Unidas, o voluntariado e a filantropia estabelecem um vínculo social verdadeiro, contribuindo para a construção de sociedades mais inclusivas e resilientes. A entidade ressalta que as ações de caridade diminuem os piores efeitos de crises humanitárias e promovem os direitos de populações marginalizadas, além de disseminar a mensagem de humanidade em cenários de conflito.

A iniciativa busca sensibilizar indivíduos, organizações não governamentais e empresas sobre a relevância do apoio ao próximo. A Agenda 2030 sobre Desenvolvimento Sustentável também reconhece a urgência de eliminar a pobreza em todas as suas dimensões, reforçando o pedido por um espírito mais consolidado de solidariedade global.

Com o fortalecimento da data, a ONU reforça o papel estratégico da sociedade civil no alívio de crises e no amparo aos desprivilegiados. O compromisso conjunto visa ampliar o alcance do trabalho voluntário e consolidar a ajuda humanitária como pilar para o desenvolvimento inclusivo nos diversos países.

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Economia

O Brasil não quebrou: houve deflação de 0,40% em agosto e alívio no custo de vida

A prévia da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA-15, registrou deflação de 0,40% em agosto de 2026. O resultado foi puxado principalmente pela redução da conta de luz, dos alimentos e dos combustíveis, marcando a primeira taxa negativa do indicador desde agosto de 2025 e a menor para um mês de agosto desde 2022.

O grupo Habitação teve queda de 1,41%, com destaque para a energia elétrica residencial, que recuou 6,25%. O movimento foi influenciado pelo Bônus de Itaipu, desconto aplicado nas contas de luz. Entre os nove grupos pesquisados, cinco apresentaram deflação no período.

Na alimentação dentro de casa, a queda chegou a 0,97%. Produtos presentes na rotina das famílias tiveram reduções expressivas: o tomate ficou 27,38% mais barato, a batata-inglesa caiu 25,14% e a cenoura recuou 17,05%. O café moído também apresentou redução, de 2,31%.

Os Transportes também contribuíram para o resultado, com queda de 13,30% nas passagens aéreas e redução nos preços do etanol, da gasolina e do óleo diesel. Vestuário e Comunicação completaram os grupos que registraram deflação em agosto, reforçando o movimento de desaceleração observado nos preços.

Com o resultado, o IPCA-15 acumulou alta de 4,24% em 12 meses, abaixo do limite de 4,5% da meta de inflação. A pesquisa de agosto considerou preços coletados entre 16 de julho e 14 de agosto, em 11 localidades. O IPCA oficial de agosto será divulgado em 11 de setembro.

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