História

Depois da queda dos galhos, o Baobá do Poeta virou esperança espalhada pelo RN

Tem coisa que não é só árvore. É memória, encontro, infância, poesia e identidade de uma cidade inteira. Depois dos galhos arrancados pelos fungos em 2025, muita gente achou que o Baobá do Poeta entraria para a lista das perdas silenciosas de Natal. Mas o que parecia fim virou algo raro de se ver: moradores levando pedaços da história da capital para replantar em diferentes lugares do Rio Grande do Norte. O símbolo de Lagoa Seca agora começa a criar raízes em Maxaranguape, Serra de São Bento, Bananeiras e até na Catedral Metropolitana, na Cidade Alta.

O mais surpreendente é que os galhos sobreviveram. Sem sementes, sem grandes estruturas, apenas pela insistência de quem se recusou a deixar o baobá desaparecer. Enquanto Natal vê casarões antigos sumirem, áreas verdes perderem espaço e a memória urbana ser trocada por concreto, uma árvore de quase 400 anos está fazendo o caminho inverso: se multiplicando. Especialistas confirmam que a espécie pode sim renascer por estaquia, técnica usada para gerar novas mudas a partir dos galhos. Em Maxaranguape, as primeiras mudas já crescem fortes. Na Catedral, um tronco deixado quase por acaso começou a brotar sozinho, criando uma cena que muita gente na cidade já trata como símbolo de resistência cultural.

O Baobá do Poeta deixou de ser apenas um ponto turístico ou cenário de eventos históricos. Virou uma espécie de resposta afetiva de Natal contra o esquecimento. A árvore que inspirou histórias, encontros e até lendas ligadas ao Pequeno Príncipe agora ganha novas versões espalhadas pelo estado, como se cada muda carregasse um pedaço da memória coletiva potiguar. Em uma cidade onde tanta coisa desaparece rápido demais, ver o baobá florescendo outra vez virou mais do que notícia. Virou símbolo de permanência.

#NatalRN #BaobáDoPoeta #CulturaPotiguar #PatrimônioCultural #RioGrandeDoNorte

📸: Magnus Nascimento