As apostas esportivas online voltam ao centro do debate diante de um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC), divulgado em 2026, que aponta que R$ 143,8 bilhões deixaram de ser gastos no comércio varejista entre janeiro de 2023 e março de 2026. O levantamento indica que esse montante migrou para as plataformas de apostas, comprometendo o consumo das famílias e contribuindo para o aumento da inadimplência. O valor equivale ao faturamento somado dos Natais de 2024 e 2025 no varejo brasileiro.
Segundo a CNC, os gastos mensais com apostas ultrapassaram R$ 30 bilhões no período analisado, cenário que teria levado cerca de 270 mil famílias à inadimplência severa, com atrasos superiores a 90 dias. O estudo ressalta que os recursos deixaram de circular em setores como supermercados, farmácias, lojas de roupas, restaurantes, serviços e lazer, reduzindo o consumo cotidiano e afetando diretamente a atividade econômica.
Os dados também reforçam a preocupação com o impacto social das bets. Pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estima que cerca de 11 milhões de brasileiros apresentam algum grau de comportamento problemático relacionado às apostas. Durante a Copa do Mundo, a Plataforma Centralizada de Autoexclusão registrou mais de 250 mil pedidos de bloqueio em apenas duas semanas, refletindo o crescimento da busca por mecanismos de controle entre apostadores.
As conclusões da CNC, no entanto, são contestadas por entidades que representam o setor de apostas, que classificam o estudo como alarmista e questionam a metodologia utilizada. Especialistas destacam que o valor de R$ 143,8 bilhões não representa dinheiro retirado da economia, mas renda que deixou de ser destinada ao comércio e foi direcionada às plataformas de apostas, muitas delas com sede no exterior. O tema segue mobilizando autoridades, pesquisadores e entidades de defesa do consumidor em torno dos efeitos econômicos e sociais da expansão desse mercado.
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