
A população global de abelhas enfrenta um declínio alarmante devido a fatores como síndrome do colapso das colônias, uso intensivo de agrotóxicos, perda de habitat, mudanças climáticas e pragas. Essas ameaças comprometem cerca de 20 mil espécies responsáveis pela polinização de 71 dos 100 principais vegetais cultivados, segundo a FAO, agência da ONU para alimentação e agricultura. A crise afeta diretamente a polinização de 75% a 80% das culturas alimentares, colocando em risco a produção de frutas, vegetais e castanhas, e ameaçando a biodiversidade dos ecossistemas.
O estreito elo entre abelhas e plantas revela uma relação vital para a sustentação da vida. A professora Márcia d’Avila, da UFSM, explica que a polinização feita por esses insetos é muito mais eficiente do que a manual, influenciando a qualidade e quantidade da produção agrícola. A redução da cobertura vegetal provoca a diminuição das abelhas, iniciando um efeito cascata. A extinção de uma espécie vegetal pode causar o desaparecimento das abelhas dependentes daquela planta, e vice-versa, o que compromete outros níveis da cadeia alimentar, desde herbívoros até carnívoros, com impactos na regulação do ciclo da água, clima e equilíbrio ambiental.
Sem abelhas, o colapso das cadeias alimentares e ecossistemas seria inevitável em poucos anos, alerta a professora. O Brasil, com cerca de três mil espécies, vem registrando mortes massivas de abelhas, especialmente devido ao uso de pesticidas durante a floração e o desmatamento. A preservação desses insetos não é apenas uma questão ambiental, mas um pilar para a segurança alimentar global e a manutenção do equilíbrio natural do planeta.
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