27 de março de 2025

Memórias

Quem nunca comeu mata-fome?!

No coração do sertão nordestino, onde a terra seca se mistura ao céu azul, havia uma árvore generosa que oferecia à criançada um fruto pequeno, mas de sabor inesquecível: o mata-fome. Seu nome científico é Pithecellobium dulce. Com sua polpa doce, nutritiva e levemente ácida, ele era o lanche improvisado dos meninos e meninas que corriam descalços pelos quintais e matas. Bastava esticar o braço ou escalar um galho baixo para alcançar aquela delícia simples, mas tão querida, que saciava a fome e adoçava as tardes quentes.

Com o tempo, porém, as paisagens mudaram. Onde antes havia matas e terrenos baldios repletos de mata-fome, agora se ergueram casas, ruas asfaltadas e prédios cinzentos. A expansão urbana avançou sem piedade, as crianças estão cada vez mais enclausuradas e muitas dessas árvores foram arrancadas para dar lugar ao concreto. As novas gerações quase já não conhecem o prazer de colher o fruto direto do pé, nem a alegria de disputar com os amigos quem achava os mais maduros e suculentos.

A saudade aperta quando se lembra da simplicidade daqueles dias, quando a infância era feita de pequenas aventuras e sabores naturais. O mata-fome era mais do que um fruto; era um símbolo de liberdade e conexão com a terra, uma lembrança doce dos tempos em que a natureza ainda era parte do cotidiano. Hoje, resta apenas a memória, guardada com carinho por aqueles que tiveram o privilégio de provar essa iguaria antes que desaparecesse.

Macaíba

Prefeito Emídio Júnior tem audiência com ministro do Turismo

O prefeito Emídio Júnior teve uma audiência com o ministro do Turismo, Celso Sabino de Oliveira, na tarde desta quarta-feira (26). Em mais uma missão em Brasília na busca por recursos para obras e ações em Macaíba, a reunião foi acompanhada pelo deputado federal Benes Leocádio e pelos vereadores Otacílio e Edi do Posto.

“Nós tivemos uma audiência muito produtiva, na qual tivemos a oportunidade de sabermos, passo a passo, o caminho para prospectar ações não somente para eventos e também para obras que envolvem o turismo do nosso município, que é uma área que pretendemos ampliar ao longo dos próximos quatro anos. E essas oportunidades de dialogarmos, de estarmos pessoalmente com o ministro são muito importantes”, afirmou o prefeito Emídio Júnior.

O gestor municipal de Macaíba destacou e agradeceu a parceria administrativa do deputado federal Benes Leocádio, responsável por mediar o encontro no Ministério do Turismo.

Homenagem

65 anos de Renato Russo

Renato Russo, nascido Renato Manfredini Júnior em 27 de março de 1960, no Rio de Janeiro, foi um dos maiores ícones do rock brasileiro. Durante a adolescência, mudou-se com a família para Brasília, onde começou a desenvolver sua paixão pela música e pela literatura. Inspirado por bandas punk e pelo movimento pós-punk, adotou o nome artístico Renato Russo em homenagem aos filósofos Jean-Jacques Rousseau e Bertrand Russell, além do pintor Henri Rousseau. Sua juventude foi marcada por uma fase introspectiva devido a uma doença óssea chamada epifisiólise, que o obrigou a passar meses em repouso, período no qual se aprofundou na leitura e na composição.

Sua carreira musical começou com a banda Aborto Elétrico, nos anos 1970, mas foi com a Legião Urbana, fundada em 1982, que Renato Russo conquistou o Brasil. A banda se tornou um dos maiores fenômenos do rock nacional, com letras intensas e engajadas, abordando temas como política, amor, juventude e angústia existencial. Álbuns como Legião Urbana (1985), Dois (1986) e Que País É Este (1987) marcaram gerações e consolidaram a banda como uma das mais influentes da música brasileira. Renato também se destacou por seu carisma e entrega no palco, tornando-se uma figura icônica para seus fãs.

Além da Legião Urbana, Renato Russo também lançou trabalhos solo, explorando sua versatilidade musical. Seus álbuns The Stonewall Celebration Concert (1994) e Equilíbrio Distante (1995) mostram sua paixão pelo folk e pela música italiana. Suas letras, muitas vezes poéticas e filosóficas, refletiam seu profundo interesse por questões sociais e sua luta pessoal contra a depressão e a solidão. Mesmo após sua morte, seu legado continua vivo, influenciando novas gerações de músicos e admiradores.

Renato Russo faleceu em 11 de outubro de 1996, aos 36 anos, devido a complicações decorrentes da AIDS. Sua morte foi um grande choque para o cenário musical brasileiro, mas sua obra permanece atemporal. Canções como Tempo Perdido, Pais e Filhos e Faroeste Caboclo seguem emocionando e inspirando fãs de todas as idades. Seu impacto cultural vai além da música, pois suas letras continuam sendo objeto de análise e estudo, reforçando sua importância na história da música brasileira.

Seu último show em Natal-RN foi no dia 07 de setembro de 1992.

Neste 27 de março também é aniversário de Xuxa (62 anos); Dia do Circo e Dia Mundial do Teatro.

Infraestrutura

Emídio e Raquel solicitam recursos para terceiro mercado público e padronização da feira de Macaíba

Na manhã desta quarta-feira (26), o prefeito Emídio Júnior e a vice-prefeita Raquel Barbosa solicitaram ao deputado federal João Maia a destinação de emenda para a construção de um terceiro mercado público municipal e para a padronização da feira livre de Macaíba. O pedido foi feito na manhã desta quarta-feira (26), em Brasília, onde cumprem mais uma missão, ao lado do deputado estadual Kléber Rodrigues e dos vereadores Clarissa Matias, Edi do Posto e Otacílio.

O gestor municipal informou diretamente de Brasília que solicitou, junto ao mandato do deputado federal João Maia, uma emenda parlamentar para viabilizar a construção do terceiro mercado público municipal.

O novo empreendimento fará parte de um projeto amplo e inovador da Prefeitura que abrange a padronização da feira livre, trazendo uma nova configuração que inclui um camelódromo, rampas de acessibilidade para pessoas com deficiência (PCDs) e melhorias para comerciantes e feirantes em geral que trabalham na região, que se constitui com uma das mais importantes do centro comercial de Macaíba, recebendo milhares de clientes a cada dia.

Cabe relembrar que a atual gestão municipal reformou completamente o mercado público principal da cidade, reabrindo-o no final de 2023 com nova cobertura, novas instalações hidráulicas e elétricas, novos pisos e revestimentos, nova pintura e com acessos adaptados para PCDs.

“Assim, cumpriremos nossa palavra que demos aos feirantes e ao Ministério Público no TAC que assinamos recentemente, afirmando nosso compromisso de que todos terão um local melhor e digno para trabalhar. Será uma obra de grande importância para o centro da cidade, para todas as pessoas que vêm da zona rural fazer a sua feira. Toda a cidade vai ganhar com isso.”, expressou Emídio Jr.

Tecnologia

Brasil terá trem-bala entre Rio e São Paulo

Imagine viajar da cidade do Rio de Janeiro para a cidade de São Paulo em 105 minutos, em um trem-bala que se desloca a 320 km/h, a um custo de R$ 500 pela passagem. Transformar esse sonho antigo do brasileiro em realidade é tarefa do CEO da TAV Brasil, Bernardo Figueiredo. Economista formado pela Universidade de Brasília (UnB), ele foi diretor da Agência Nacional da Transporte Terrestre (ANTT) e presidente Empresa de Planejamento e Logística (EPL).

Em entrevista exclusiva à EXAME, ele contou os detalhes do ambicioso projeto que tem orçamento estimado em R$ 60 bilhões para construir a infraestrutura necessária ao longo de um traçado de 417 quilômetros e que pretende começar a operação em 2032. A TAV Brasil é a empresa autorizada pelo governo a construir e explorar o projeto pelo período de 99 anos.

A possibilidade de construção do trem de alta velocidade exclusivamente pelo setor privado passou a existir em 2021, com a aprovação pelo Congresso do marco legal ferroviário, que estabeleceu o modelo não é necessário a licitação de um projeto. Todo esse processo é conduzido pelo operador privado que recebeu a autorização.

Por duas vezes, durante a gestão de Dilma Rousseff, o governo tentou, sem sucesso, licitar o projeto. Na primeira tentativa, o Executivo contrataria uma empresa ou consórcio para construir e operar o trem-bala e, como contrapartida, o projeto seria financiado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entretanto, o leilão não recebeu propostas efetivas.

Sem sucesso no primeiro modelo, o governo definiu que construiria a infraestrutura e contrataria um operador, que pagaria para explorar o serviço. Mais uma vez, o projeto não saiu do papel.

 

Quatro estações entre Rio e São Paulo

O projeto do trem-bala entre Rio e São Paulo prevê a construção de quatro estações ao longo do trajeto de 417 quilômetros, afirmou Figueiredo. Além das estações entre Rio e São Paulo, haverá uma parada em Volta Renda (RJ) e outra em São José dos Campos (SP).

Os pontos exatos dependem da aprovação das prefeituras. No caso de Rio e São Paulo, a ideia é que sejam construídas na região central ou aproveitem estruturas já existentes para contribuir no processo de revitalização dessas áreas.

Segundo o CEO TAV Brasil, uma viagem entre todo trajeto tem custo estimado em R$ 500. Quem fizer uma o trajeto de ida e volta entre Rio e São Paulo deve gastar R$ 1.000. Já um deslocamento para Volta Redonda ou para São José dos Campos será a metade do preço: R$ 250 por trecho e R$ 500 ida e volta.

Com 38 milhões de habitantes, 30% do Produto Interno Bruto (PIB) do país e mais de 40 destinos turísticos, os dois estados têm potencial de alavancar o crescimento com a execução do projeto. Nas contas da TAV Brasil, o trem de alta velocidade tem potencial de adicionar R$ 168 bilhões ao PIB, criar 130 mil empregos diretos e indiretos, além de garantir R$ 46 bilhões em impostos até 2055.

 

Exploração imobiliária

Diante do custo de R$ 60 bilhões em investimentos para construção das linhas, terminais, compra de trens e sistemas operacionais, o projeto traz uma inovação em relação aos anteriores: a possibilidade de exploração imobiliária nas proximidades das estações. Com isso, o empreendimento passa a gerar receita adicional, com potencial estimado em R$ 27,3 bilhões.

A Lei de Ferrovias permite que terrenos junto às estações sejam desapropriados para criar uma área estendida em que é possível construir empreendimentos imobiliários próximos a ferrovias, como shoppings, centros empresariais e hotéis.

Segundo a TAV, ainda é possível adquirir terrenos privados para desenvolvimento imobiliário ou para evitar altos custos de desapropriação. Por exemplo, negociar com proprietários, áreas para aproveitar o crescimento da operação ferroviária. O mesmo se aplica a outras estações e imóveis estratégicos na faixa de domínio, se vantajoso.

Um caso de sucesso dessa inovação ocorreu na Coreia do Sul, na estação entre as cidades de Cheonan e Asan, que fica a 100 quilômetros da capital Seoul. A estação foi inaugurada em 2003 e por meio dos empreendimentos imobiliários foi possível criar uma cidade que hoje tem 600 mil habitantes.

 

Chineses, espanhóis e fundos árabes no páreo

Após garantir a autorização do governo para o projeto, a empresa agora trabalha, segundo Figueiredo, para finalizar o Estudo de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) para, posteriormente, pleitear licenças prévias, entre elas a ambiental, para iniciar a obra.

Em paralelo, o executivo tem negociado com empresas chinesas, espanhóis e fundos árabes para viabilizar os R$ 60 bilhões em investimentos necessários para obra, compra dos trens e sistemas de operação. Os nomes das companhias não podem ser revelados, diante dos acordos de confidencialidade estabelecidos entre as partes.

“Estamos em conversas com os espanhóis, que construíram muitas linhas de trens da alta velocidade. Também estamos conversando com empresas chinesas, que oferecem um pacote completo de equipamentos, construção e sistemas de operação. Ainda há conversas com fundos árabes. No fim, podemos fechar com um dos três ou ter uma estrutura combinada entre os três”, disse.

Atualmente, segundo Figueiredo, os chineses estão na vanguarda da tecnologia. O primeiro trem de alta velocidade foi inaugurado no Japão, em 1964, com ligação entre a capital Tokio e Osaka. Na Europa, a primeira linha em começou operar na França, entre Paris e Lyon, em 1981.

Os chineses inauguraram a primeira linha em 2008, entre as cidades de Pequim e Tianjing. De lá para cá, a China construiu 40 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros de linhas para trens de alta velocidade dos 60 mil quilômetros existentes no mundo.

“Em todas as conversas, os possíveis parceiros apontam a necessidade de apoio local do governo brasileiro. É importante que o governo diga que o projeto é prioritário ou entre no Programa de Aceleração do Crescimento. Isso traz agilidade para os processos de licenciamento, desapropriação e financiamento”, disse.

Segundo Figueiredo, esse pedido formal já foi feito ao Ministério dos Transportes. A pasta avalia o pleito. Pelo cronograma da empresa, o processo de conclusão dos estudos técnicos ocorrerá até o fim de 2026. O planejamento prevê o início das operações em 2032 para, enfim, o sonho do trem-bala se tornar realidade.

EXAME

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