
O Rio Grande do Norte e a cultura popular brasileira se despedem de um de seus maiores patrimônios. Paulo Varela, poeta, artista e mestre da cultura popular, escreveu seus últimos versos entre nós, deixando uma obra marcada pela originalidade, pelo humor e pela capacidade singular de retratar a alma do povo nordestino. Natural de Assú, ele transformou em poesia as cores, os costumes, os causos e os trejeitos do sertão, eternizando em sua arte aquilo que há de mais genuíno, pitoresco e belo na identidade do Nordeste.
Reconhecido nacional e internacionalmente, Paulo Varela levou a poesia matuta a lugares antes inimagináveis. Com seu talento extraordinário, conquistou plateias por todo o Brasil, recebeu o título de Mestre da Cultura Popular das mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e teve a honra de sentar no histórico sofá de Jô Soares, onde encantou o país com sua inteligência, simplicidade e talento. Dono de uma veia cômica magistral, transformava o cotidiano em versos memoráveis, fazendo rir, refletir e se emocionar aqueles que tinham o privilégio de ouvi-lo declamar.
Para este repórter Gato Preto, fica também a saudade de um amigo de mais de duas décadas, sempre generoso com suas palavras e sua atenção. Sua partida deixa uma lacuna imensa na cultura potiguar, mas sua presença permanecerá viva na memória de todos que admiraram sua arte e sua trajetória. Paulo Varela agora passa a integrar o seleto grupo dos grandes nomes da cultura brasileira que se tornam eternos. E, na imaginação de quem o amava e admirava, ele seguirá declamando seus versos no céu, ao lado de outros gloriosos poetas e artistas, mantendo viva a chama da cultura popular nordestina para as futuras gerações.
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