
Enquanto o Dia dos Namorados movimenta vitrines, restaurantes e redes sociais em 12 de junho, a mesma data também marca uma das causas mais urgentes e menos debatidas do país: o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil. Criada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 2002 e reconhecida no Brasil pela Lei nº 11.542/2007, a data chama atenção para uma realidade que continua presente em ruas, lavouras, comércios e até dentro de residências. Muitas vezes invisível aos olhos de quem passa apressado, o trabalho infantil interrompe trajetórias, afasta crianças da escola e compromete seu desenvolvimento físico, emocional e social.
Os números mostram que o problema está longe de ser superado. Dados da PNAD Contínua do IBGE apontam que, em 2019, cerca de 1,768 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos estavam em situação de trabalho infantil no Brasil, o equivalente a 4,6% da população nessa faixa etária. O cenário é ainda mais preocupante quando se observa o recorte racial: segundo o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI), crianças e adolescentes pretos e pardos representam 66,1% das vítimas dessa violação de direitos. Em muitos casos, atividades vistas como “ajuda” ou “necessidade” acabam mascarando situações de exploração que comprometem o futuro de uma geração inteira.
O enfrentamento desse desafio depende de vigilância permanente e ação coletiva. Programas como o PETI, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social em parceria com áreas como educação, saúde e direitos humanos, buscam romper esse ciclo por meio de políticas públicas integradas. A legislação brasileira é clara ao permitir o trabalho apenas a partir dos 16 anos, salvo na condição de aprendiz a partir dos 14. Combater o trabalho infantil não é apenas garantir o cumprimento da lei, mas proteger sonhos, oportunidades e o direito fundamental de viver plenamente a infância.
Também nesta data é celebrado o Dia do Enxadrista.
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