
Chega o 7 de Setembro. As ruas se enchem de verde e amarelo, as bandeiras tremulam, os hinos lembram que, um dia, o Brasil decidiu que seu destino não seria escrito por mãos estrangeiras.
Mas há uma pergunta incômoda no ar: o que fará, nesse dia, o bolsonarismo que transformou a bandeira dos Estados Unidos em adereço político?
É uma pergunta difícil porque independência, para qualquer país, significa soberania. Significa defender seus interesses, negociar de igual para igual e não pedir a uma potência estrangeira que pressione o próprio país para salvar um projeto político.
Enquanto setores do bolsonarismo celebram alianças com Donald Trump e pedem medidas contra o Brasil, Washington impõe novas tarifas sobre produtos brasileiros. As sobretaxas já atingem parcela relevante das exportações e aumentam a desvantagem dos nossos produtos no mercado americano.
E então chega o paradoxo: no Dia da Independência, quem ostenta a bandeira americana precisará explicar por que comemora a independência brasileira enquanto torce para que uma potência estrangeira aperte o parafuso sobre nossa economia.
Talvez seja hora de separar patriotismo de torcida política.
Porque gostar dos Estados Unidos é perfeitamente legítimo. Admirar sua cultura também. O que parece estranho é comemorar a própria independência enquanto se pede ao estrangeiro que castigue o país.
No 7 de Setembro, a pergunta permanecerá pendurada no céu, ao lado dos fogos e das bandeiras: independência de quem, afinal?
#7DeSetembro #IndependênciaDoBrasil #SoberaniaNacional #Brasil #Política
Ilustração: Quinho

