
O economista e ex-ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira declarou que uma eventual gestão do senador Flávio Bolsonaro na Presidência da República representaria um cenário de retrocesso político, econômico e social para o país. A avaliação foi feita durante conversa divulgada nas redes sociais pelo professor da Universidade de São Paulo (USP) Nabil Bonduki, na qual o economista, de 92 anos, analisou os rumos do desenvolvimento brasileiro. Segundo a tese defendida por Bresser-Pereira há 25 anos, a economia nacional vive um regime de semi-estagnação originado na crise da dívida externa dos anos 1980 e aprofundado pelas políticas econômicas adotadas nas décadas seguintes.
Na visão de Bresser-Pereira, expoente da corrente do novo desenvolvimentismo, o Brasil perdeu dinamismo e sofreu um forte processo de desindustrialização a partir da abertura comercial e financeira iniciada no governo Fernando Collor. Em termos gerais, a lógica neoliberal mencionada pelo economista prioriza a redução da interferência do Estado na economia, a ampla abertura dos mercados e o protagonismo do setor financeiro. O ex-ministro argumenta que esse modelo entregou os rumos do país aos interesses de capitalistas rentistas e agentes do mercado financeiro, limitando o fortalecimento da indústria nacional e mantendo a dependência em relação às nações mais ricas.
Ao avaliar a evolução histórica do cenário nacional, Bresser-Pereira destacou que o país registrou crescimento expressivo entre 1930 e 1980, interrompido pelo endividamento externo e pelo rigoroso ajuste fiscal decorrente da crise. Ele apontou que os governos posteriores, inclusive a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mantiveram a orientação neoliberal. O economista observou ainda que, embora o governo de Luiz Inácio Lula da Silva tenha registrado expansão econômica impulsionada pelo ciclo de alta das commodities, o processo de desindustrialização permaneceu em curso. Para superar esse quadro, ele defende a construção de uma estratégia nacional de desenvolvimento focada na recuperação industrial e na geração de empregos.
Ao projetar o futuro político do Brasil, o ex-ministro enfatizou que um governo comandado por Flávio Bolsonaro significaria a manutenção do subdesenvolvimento e a submissão aos interesses de potências estrangeiras, lideradas pelos Estados Unidos. Em suas palavras, uma gestão sob essa liderança seria “um horror politicamente, economicamente, socialmente, uma violência contra os pobres, uma violência contra o país, uma entrega do Brasil aos Estados Unidos”.
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