Falta convencionar: Qual foi a maior?

As convenções partidárias realizadas neste fim de semana consolidaram oficialmente as principais candidaturas ao Governo do Rio Grande do Norte e encerraram um dos mais longos e intensos períodos de pré-campanha já vividos desde que a legislação eleitoral passou a permitir diversas formas de manifestação política antes do início oficial da disputa. A partir de agora, os partidos entram na reta que antecede o registro definitivo das candidaturas na Justiça Eleitoral e se preparam para o início da campanha, quando o debate deixa os ambientes controlados dos eventos partidários e passa a ocupar as ruas, os meios de comunicação e as plataformas digitais.

No sábado, a federação que reúne PT, PCdoB e PV oficializou a candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado, tendo Larissa Rosado como candidata a vice-governadora. A convenção ocorreu no Ginásio Professor Marcelo Carvalho, conhecido como Ginásio do DED, no bairro de Candelária, em Natal. O espaço possui capacidade aproximada para 3 mil pessoas e recebeu militantes, dirigentes partidários, lideranças políticas e apoiadores durante o ato que homologou a chapa.

Já neste domingo, foi a vez do União Brasil confirmar oficialmente a candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, ao Governo do Estado, tendo Hermano Morais como candidato a vice-governador. O evento aconteceu no tradicional Palácio dos Esportes, também em Natal, cuja capacidade gira em torno de 3 mil pessoas, considerando arquibancadas e quadra. As imagens registradas durante a convenção mostram o ginásio completamente ocupado, reforçando a mobilização promovida pela legenda.

Também no domingo, o ex-prefeito de Natal Álvaro Dias oficializou sua candidatura ao Governo do Estado ao lado do ex-prefeito de São Tomé, Babá, escolhido para compor a chapa como candidato a vice-governador. A convenção foi realizada no Ginásio Nélio Dias, localizado na Zona Norte de Natal. De acordo com informações oficiais, o equipamento esportivo possui capacidade para aproximadamente 10 mil pessoas, entre arquibancadas e área destinada ao público. Registros fotográficos do evento demonstram grande presença de participantes, transformando a convenção em mais uma demonstração de capacidade de mobilização política.

Embora os números de público sempre despertem comparações entre adversários, seu significado eleitoral costuma ser limitado. Convenções são eventos organizados pelos próprios partidos e têm como objetivo principal cumprir uma etapa obrigatória do calendário eleitoral, além de apresentar oficialmente candidatos, lideranças e estratégias. A lotação de um ginásio, por maior que seja, não representa automaticamente intenção de voto. O que esses encontros evidenciam é a capacidade de organização das estruturas partidárias, da militância e, sobretudo, da rede de prefeitos, vereadores e lideranças locais responsáveis pela mobilização de apoiadores.

Essa demonstração de força também possui um importante componente de comunicação. As convenções deixaram de ser apenas reuniões formais para homologação de candidaturas. Tornaram-se grandes produções audiovisuais, cuidadosamente planejadas para abastecer programas eleitorais, redes sociais e materiais de campanha. Equipes de filmagem, fotógrafos, produtores de conteúdo e especialistas em comunicação registram imagens de impacto destinadas a fortalecer a identidade visual dos candidatos durante os próximos meses.

Ao mesmo tempo, encerra-se um fenômeno que passou a marcar as últimas disputas eleitorais brasileiras: a expansão da pré-campanha. Embora a legislação estabeleça limites claros para esse período, na prática os pré-candidatos passaram meses participando de eventos, concedendo entrevistas, ampliando presença nas redes sociais, visitando municípios e construindo narrativas políticas muito antes da autorização para a propaganda eleitoral. Em diversos momentos, a pré-campanha assumiu protagonismo semelhante ao da própria campanha oficial.

Com as candidaturas homologadas, surge uma questão inevitável: o que ainda resta de novidade para a campanha eleitoral? Grande parte das alianças já foi anunciada, os posicionamentos políticos estão conhecidos, as estratégias de comunicação foram amplamente exploradas e os principais embates já ocorreram durante os meses anteriores. A tendência é que o período oficial concentre menos apresentações e mais confronto de propostas, debates públicos e exposição direta dos candidatos ao questionamento dos eleitores.

Essa nova fase também será marcada por regras mais rigorosas. Conforme a legislação eleitoral, a propaganda oficial somente poderá ocorrer dentro dos prazos estabelecidos pela Justiça Eleitoral. Permanecem proibidos o pedido explícito de voto fora do período permitido e outras formas de propaganda antecipada. As normas também disciplinam o impulsionamento de conteúdo nas redes sociais, que deve observar requisitos específicos previstos pela legislação.

Outro ponto de destaque é a regulamentação do uso da inteligência artificial nas campanhas eleitorais. As resoluções do Tribunal Superior Eleitoral estabelecem regras para identificação de conteúdos produzidos com essa tecnologia e proíbem a utilização de recursos capazes de manipular imagens, vídeos ou áudios de forma a induzir o eleitor ao erro. Também permanecem sob fiscalização conteúdos desinformativos e práticas que possam comprometer a igualdade entre os concorrentes.

 O calendário eleitoral estabelece que as convenções partidárias ocorrem até 5 de agosto, enquanto o registro das candidaturas deve ser realizado até 15 de agosto. A propaganda eleitoral começa em 16 de agosto, quando candidatos passam a realizar atos públicos, distribuir material de campanha e utilizar os meios autorizados pela legislação. O primeiro turno das eleições está previsto para 4 de outubro, com eventual segundo turno em 25 de outubro, nos cargos em que houver essa possibilidade.

 Mais importante do que o tamanho dos palcos, a capacidade dos ginásios ou a força das imagens produzidas nas convenções será a qualidade do debate que se desenvolverá nas próximas semanas. A campanha eleitoral existe para que candidatos apresentem propostas, sejam confrontados por adversários, respondam aos questionamentos da sociedade e se submetam ao julgamento do eleitor. Em qualquer etapa do processo eleitoral, da pré-campanha à votação, o princípio que deve permanecer inegociável é o respeito às regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral, à ética, à igualdade entre os concorrentes e à soberania da vontade popular, preservando a legitimidade de uma eleição livre de interferências externas e orientada exclusivamente pelo interesse público.

  • O Editor, Gato Preto.
  • Imagem: Blog do BG

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