
Há 56 anos, o Brasil perdia Luiz Jacinto da Silva, mas o Coronel Ludugero seguia vivo no imaginário popular. Nascido em 1929, no bairro São Francisco, em Caruaru, no Agreste pernambucano, ele saiu da rotina de ajudante do pai seleiro, padeiro e entregador de telegramas para conquistar o rádio nordestino nos anos 1960. A guinada veio ao chamar atenção de José Almeida e do compositor Onildo Almeida, na antiga Rádio Difusora. Com arma na cintura, temperamento explosivo e erros propositais de pronúncia, o personagem satirizava os coronéis nordestinos e rapidamente se tornou indispensável no programa humorístico, arrastando multidões e ultrapassando fronteiras regionais.
O sucesso no rádio abriu caminho para a televisão, com passagens pela extinta TV Tupi e pela TV Globo. No repertório musical, Ludugero transformou o humor em disco: em 1962, gravou pela Mocambo “Ludugero apoquentado” e “Combuque de Ludugero”, além de xotes e modas de roda como “Si tivé mulé” e “Fiscá fulero”. Vieram ainda “Sem mulé não presta”, “Duas fia pra casá” e, em 1971, o LP “Ludugero casa uma filha”, que incluía “Vou pra tamarineira”, de Elino Julião. O maior êxito foi “A volta do regresso”, consolidando uma trajetória marcada por paródias e sátiras que dialogavam com o Brasil brejeiro da época, frequentemente comparado ao universo caipira de Mazzaropi.
A carreira foi interrompida tragicamente em 14 de março de 1970, quando o avião que transportava o artista e sua trupe caiu nas águas da Baía de Guajará-Mirim, no Pará. O corpo só foi localizado semanas depois, e o cortejo fúnebre entrou para a história como um dos maiores já vistos em Caruaru. Décadas mais tarde, em 1999, a Polydisc reuniu clássicos no CD “Coronel Ludugero – 20 supersucessos”, reafirmando a força de um personagem que dividia o palco com figuras como Felomena, Trubana e Otrope. Da sátira política ao humor picaresco, Coronel Ludugero permanece como um ícone cultural nordestino, símbolo de uma época em que o rádio moldava identidades e o riso era ferramenta de crítica e pertencimento.

