Elis Regina: 44 anos sem o brilho e a voz da Pimentinha

“Eis o adeus de Elis no palco de Trem Azul – um voo para o mar sem fim das galáxias onde habitam as estrelas. Lembremos dela, hoje, como uma pessoa presente, porque o passado não se reconstitui (nem há futuro…); claro, o passado se reproduz no contexto histórico naquilo que foi talhado, dito, escrito… De Elis, obviamente, temos seu acervo: discos, CD’s, DVD’s, jornais, revistas, fotografias… Não ser esquecido é um dom e sua obra é seu maior legado.”

O texto acima é do amigo Francinaldo Borges, funcionário público paraibano, notável devoto da carreira de Elis.

Gaúcha de Porto Alegre, Elis nasceu em 17 de março de 1945, e desde muito jovem despontou como um talento singular na música brasileira ao entrar em programas de rádio infantojuvenis. Sua carreira profissional ganhou projeção nacional na década de 1960, especialmente após vencer o Festival de Música com “Arrastão” e se tornar uma figura central da música popular ao colaborar com compositores como Edu Lobo, Vinicius de Moraes, Tom Jobim e Milton Nascimento, interpretando obras que se tornaram marcos da cultura musical do país. Ao longo de sua trajetória, que incluiu álbuns de enorme relevância como “Elis & Tom”, gravado com Antonio Carlos Jobim, a intensidade de sua voz e a profundidade de suas interpretações estabeleceram um novo patamar para intérpretes de MPB, cativando público e crítica e consolidando seu legado artístico.

O engajamento de Elis Regina extrapolou os palcos e se conectou com o contexto sociopolítico de um Brasil sob regime militar, situação em que suas escolhas estéticas e posicionamentos ganharam significados mais amplos. Respeitada por sua versatilidade e presença de palco, a cantora influenciou gerações de artistas e continua sendo referência na música brasileira. A morte prematura em 19 de janeiro de 1982, aos 36 anos, decorrente de uma combinação de substâncias que provocou uma parada cardíaca, provocou comoção nacional e interrompeu uma carreira em plena maturidade criativa. Mesmo após mais de quatro décadas, sua obra e sua voz permanecem presentes no imaginário cultural do Brasil, lembradas tanto pelos clássicos eternizados quanto pela força com que transformou cada interpretação em experiência única.

  • Este 19 de janeiro também é dia do Cabeleireiro, Dia do passista e Dia de São Canuto. 

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