O bolsonarismo perdeu nas urnas e segue derrotado pela realidade

A extrema-direita perdeu nas urnas, mas parece ter vencido uma disputa pela produção de vexames. Depois da derrota eleitoral de domingo, 25, seus militantes seguem mergulhados em teorias conspiratórias, desconectados da realidade e sem o menor constrangimento. É a pandemia da idiotia: a mesma turma que rezou para pneus, conversou com ETs, bebeu detergente e desacreditou vacinas agora desconfia da contagem dos votos.

O jornalista, psicólogo e professor da UFF Felipe Pena propõe uma análise que divide atores da extrema-direita em três grupos: psicopatas, dissonantes cognitivos e neuróticos obsessivos. A classificação, apresentada em sua análise, associa o primeiro grupo à falta de empatia e à radicalização; o segundo à distorção dos fatos para sustentar narrativas; e o terceiro à obsessão por dinheiro e patrimônio. É uma leitura contundente de um movimento que frequentemente parece confundir convicção com delírio.

A ironia eleitoral é irresistível. Em 2022, Alexandre de Moraes, acusado pela própria extrema-direita de favorecer Lula, presidia o TSE. Lula venceu por margem apertada. Agora, com o ministro Nunes Marques, indicado por Bolsonaro ao STF, na presidência da Corte eleitoral, os mesmos setores levantam suspeitas de fraude diante de uma vitória ainda mais expressiva do petista.

Se a lógica conspiratória valesse alguma coisa, o resultado deveria provocar justamente o contrário dessas acusações. Mas a realidade nunca foi exatamente um obstáculo para quem prefere fabricar inimigos a aceitar fatos. Exercer a virtude da inteligência jamais foi o forte do bolsonarismo.

A extrema-direita perdeu a eleição e parece ter perdido também a capacidade de reconhecer a própria contradição. O problema é que, quando a mentira vira identidade e a conspiração vira explicação para tudo, nenhuma urna é capaz de curar essa epidemia.

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