Alinhado ao bolsonarismo, governo colombiano proíbe manifestações populares

O governo colombiano assinou um decreto que estabelece regras para manifestações públicas e amplia os mecanismos de intervenção das forças de segurança. A medida, apresentada como instrumento para preservar a ordem pública, acende um alerta sobre os limites da atuação do Estado e o direito constitucional de protestar.
Segundo as informações divulgadas, o decreto prevê acompanhamento permanente das mobilizações, protocolos de controle e intervenção em situações que envolvam armas, explosivos, retenção de pessoas contra a vontade ou agressões. O documento também estabelece medidas de proteção para servidores públicos, profissionais de saúde, agentes de segurança e equipes jornalísticas.
O presidente Abelardo de la Espriella (foto), representante da direita radical colombiana, é alinhado ao governo de Donald Trump e promove uma guinada conservadora na política do país. Suas posições também encontram convergências ideológicas com o bolsonarismo brasileiro, especialmente no discurso de segurança pública e no enfrentamento a movimentos de oposição.
Embora o decreto não proíba formalmente os protestos pacíficos, críticos alertam para o risco de criminalização das mobilizações. A norma permite intervenções policiais sem que todas as etapas de diálogo e mediação sejam necessariamente cumpridas em determinadas situações, ampliando a margem de atuação das forças de segurança.
O precedente preocupa. Quando governos ampliam o poder de repressão sobre manifestações, cresce o risco de intimidação de estudantes, sindicatos, trabalhadores e organizações populares. O direito de protestar não é uma concessão de governantes, mas uma garantia fundamental da democracia.
A experiência internacional mostra que a defesa da ordem pública não pode servir de justificativa para restringir liberdades civis. O desafio é combater a violência sem transformar a discordância política em ameaça e sem enfraquecer o direito da população de cobrar seus governantes nas ruas.
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