
A renúncia do presidente paraguaio Santiago Peña, nesta quinta-feira (5), representa mais do que uma grave crise política no Paraguai. É também um novo abalo para o campo conservador e de extrema direita na América Latina, alinhado ao projeto de poder de Donald Trump. Aliado do presidente norte-americano, Peña deixa o cargo depois que o colapso do Ueno Bank, instituição com a qual manteve vínculos empresariais, desencadeou um escândalo financeiro de enormes proporções, atingindo quase três milhões de clientes e envolvendo centenas de milhões de dólares em recursos públicos.
A crise ganhou dimensão ainda maior quando a Câmara dos Deputados aprovou o processo de impeachment por unanimidade, rejeitando a renúncia para permitir que as acusações sejam apuradas. O episódio expõe as fragilidades de um projeto político que costuma se apresentar como defensor da moralidade, da responsabilidade econômica e dos valores conservadores, mas que agora enfrenta questionamentos sobre conflitos de interesses e gestão de recursos públicos.
Para Donald Trump, que procura ampliar sua influência política e estratégica sobre o continente, a turbulência paraguaia é mais um revés. Somada à derrota do bolsonarismo no Brasil, a queda de Peña sinaliza que a América Latina não está politicamente entregue aos interesses da direita radical. O continente continua sendo um território de disputas, no qual a democracia, a soberania nacional e a cobrança por responsabilidade dos governantes seguem impondo limites aos projetos de dominação política.
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