População em situação de rua cresce no RN e expõe avanço da vulnerabilidade social

O Rio Grande do Norte registrou um aumento de 134,1% no número de pessoas em situação de rua entre 2020 e 2025, alcançando 3.345 registros, segundo levantamento do Conselho Nacional do Ministério Público. O crescimento supera a média nacional, que foi de 97,4% no mesmo período, e revela um cenário de agravamento da vulnerabilidade social. A maior concentração está em Natal, seguida por Mossoró e Parnamirim, evidenciando que o problema se intensifica nos maiores centros urbanos do estado.

Os dados mostram que a população em situação de rua é formada, em sua maioria, por homens, pessoas negras e adultos entre 40 e 59 anos. Também reforçam que a realidade vai além da falta de renda. De acordo com a Defensoria Pública do RN, o rompimento dos vínculos familiares aparece como principal fator que leva as pessoas às ruas, seguido pelo desemprego. O uso abusivo de álcool e outras drogas surge apenas em terceiro lugar, contrariando uma percepção comum que reduz o problema exclusivamente à dependência química.

Os números exigem mais do que estatísticas e discursos. Eles apontam para a necessidade de políticas públicas permanentes, capazes de integrar moradia, saúde, assistência social, geração de emprego e fortalecimento dos vínculos familiares. Tratar a população em situação de rua apenas como consequência da pobreza é ignorar a complexidade de uma crise social que cresce em ritmo acelerado e desafia o poder público e toda a sociedade.

Foto: Mateus Tiagé

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