Pesquisa revela que brasileiros preferem festas juninas e música sertaneja

Uma pesquisa conduzida pelo cientista político Felipe Nunes, diretor da Quaest, revela novas preferências que ajudam a compreender o imaginário coletivo brasileiro. O levantamento aponta o São João como a festa popular mais querida do país, superando até mesmo o Carnaval, enquanto a música sertaneja se consolida como o gênero de maior alcance nacional. O resultado reforça a força das tradições juninas e da música ligada ao interior, elementos que seguem vivos mesmo em um país cada vez mais urbano e conectado.

O protagonismo do São João se explica pelo seu caráter afetivo e comunitário. As fogueiras, as comidas típicas, as quadrilhas e o clima de celebração regional fazem da festa um símbolo de pertencimento, especialmente no Nordeste, mas com forte adesão em outras regiões. Trata-se de uma manifestação cultural que atravessa gerações e preserva vínculos com a história e os costumes populares, o que ajuda a explicar sua centralidade no gosto nacional.

No campo musical, o sertanejo aparece como trilha sonora dominante da vida cotidiana. A pesquisa destaca a força do gênero em suas diferentes vertentes, com atenção especial ao chamado agronejo, que conecta o universo do agronegócio à estética contemporânea. O sucesso do estilo evidencia não apenas preferência musical, mas também uma identificação simbólica com valores associados ao trabalho, à prosperidade e à vida no campo, ainda que reinterpretados sob uma lógica moderna e comercial. O religioso/gospel vem em segundo lugar; o forró em quarto; e o samba só lidera no Rio.

Além dos hábitos culturais, o estudo revela uma faceta mais contraditória da sociedade brasileira ao tratar da relação com a legalidade. Segundo a pesquisa, há uma percepção seletiva das normas, nas quais o que é considerado ilegal tende a ser aquilo que afeta diretamente a vida ou os interesses individuais. Essa leitura, aprofundada por Nunes no livro A Alma do Brasil, expõe um país que valoriza suas tradições e identidades culturais, mas convive com uma moralidade flexível, moldada pela experiência pessoal. Ao conectar cultura, comportamento social e política, o levantamento ajuda a entender como essas contradições influenciam a forma como os brasileiros avaliam o poder público e o funcionamento das instituições.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima