81 anos de Altemar Dutra
Morreu em 09 de novembro de 1983, vítima de um AVC, em Nova Iorque.
Joga no Youtube e ouça um cantor de verdade!
Morreu em 09 de novembro de 1983, vítima de um AVC, em Nova Iorque.
Joga no Youtube e ouça um cantor de verdade!
76 anos do ataque americano a Hiroshima e Nagasaki com bombas nucleares.
Milhares de vidas civis e inocentes desintegradas.
Boa reflexão para quem ensaia apoios a governos genocidas.
O talento e as lentes são do amigo Marcelo Augusto, colunista compulsório desta Revista, mas a Matriz de Nossa Senhora da Conceição “é do povo, como o céu é do condor!”
Foi com essa afirmação que a governadora Professora Fatima Bezerra comemorou o acordo firmado entre o Governo do Estado e a UFRN pela instalação, em Macaiba, do Parque Científico Tecnologico Augusto Severo Pax. O ato solene aconteceu na Governadoria, em Natal.
O documento também foi chancelado pelo prefeito Emidio Júnior, que estava acompanhado pelo vice-prefeito Netinho França, por secretários municipais e pelos vereadores Aroldo, Tafarel, Luizinho, Érika, Rita de Cassia, Dadaia e Ismarleide.
Procurei nos obituáros e não encontrei nenhuma homenagem do prefeito, vereadores, militantes e arquitetos! Não mandaram nem coroa de flores!
Procurei nas páginas policiais e não vi nenhuma menção à lamentável execução que houve no Centro de Caicó em plena luz do dia!
Um símbolo da cidade foi ao chão, humilhado, como se o tempo e sua história fossem metralha.
Para usar uma frase feita, “num país sério”, essa demolição seria impedida a mando de baioneta!
Um casario colorido não é apenas cenário para selfie! Faz parte da identidade de quem viveu ali, da memória que precisa ser preservada para contar aos próximos as páginas feias e bonitas vividas.
Nem sei quem ordenou a matança, mas já o condeno ao purgatório dos ingratos e injustos! Ao mesmo inferno que será povoado pelos que flagelam nossa Amazônia. A metáfora pode ser rasa, mas os efeitos são os mesmos.
O signatário da Escritura tem cúmplice. Deveria ter sido tutelado por quem é eleito.
Claro que o antigo precisa abrir alas para o moderno. Mas este mesmo senso mostra fotografias de soluções arquitetônicas inteligentes que fazem o passado conviver com o arrogante presente, com harmonia, não tolerância (palavra feia!), obrigação, mas por reverência, reconhecimento.
Vizinhos ao casarão morto, contemporâneos seus resistem pela inteligência de seus tutores. Testemunhas da crueldade, devem chorar.
A única nota positiva desta página é que jovens lamentam.
Até quando nossa identidade estará impregnada nas ruas da cidade? A ordem de despejo está à porta!
Façam foto! Pela lógica vigente, em pouco tempo, o próximo passo seria marretar a Matriz de Sant’Ana, a Casa de Pedra! Mesmo componentes de um sítio a ser “preservado”.
Que feio, Prefeitura de Caicó!
O poder de polícia é seu e as manchas do sangue de cada tijolo derrubado ali estão nas mãos de quem finge não ter nada a ver com esse crime.
Para conhecer um pouco sobre a História do casarão:
https://www.juliachavesarq.com/post/o-casar%C3%A3o-ecl%C3%A9tico-demolido
Esses dias li que bípedes bagunçaram geral um dos depósitos de lixo instalados recentemente pela Prefeitura de Macaíba no Centro da cidade. Teve gente que colocou a culpa em quadrúpedes.
Aí me vieram versos clássicos do mestre Elino Julião:
“Veja, pessoal, que mau elemento! Não sei se o animal é ele ou o jumento…”
Agora em maio faz 15 anos que Elino se tornou saudade.
O polivalente amigo Marcelo Augusto, colunista compulsório desta Revista, merece um abraço de todos nós por fazer de sua profissão de fé o resgate da memória do chão e do povo de Macaíba.
Reproduzimos mais um texto seu:
“Vejam algumas ruas do centro da cidade, naquela Macaíba de 1971.
Olhem quanto verde ainda dispunha, muitos terrenos, pequenos sítios rodeavam a cidade que iniciava seu crescimento demográfico.
Caminhei e caminho sempre por esses espaços. Não sei até quando, mas ainda estou por aqui.
Quando vejo esses retratos, sinto uma magia dentro de cada lugar, de cada rua e de cada beco.
Já mudou quase tudo, e mudará ainda mais.”
Foto: Acervo PMM (domínio público)
Pode até ser saudosismo, mas também é uma pitada imensa de amor à minha Macaíba.
Outro dia postei uma fotografia parecida, só que de outro ângulo. Essa agora mostra o sítio que deu origem ao conjunto São Geraldo, e também os casarios da Rua Professor Caetano, a Praça de Coló, além do início da Avenida Jundiaí e Rua Heráclito Vilar.
Essa fotografia tem 50 anos, e em meio século nota-se muita mudança na cidade, mudanças boas e outras não muito boas assim.
Vamos caminhando, mostrando nossa Macaíba de ontem, àquela cidade provinciana, pacata e cheia de gente boa.
Quem tiver mais de meio século de vida saberá discernir o ontem do hoje.
Quanto ao amanhã, isso ainda não nos pertence!
Texto: Marcelo Augusto, colunista compulsório desta Revista Coité
Foto: Acervo
A Câmara Municipal de Macaíba aprovou há poucos dias uma proposição do vereador Aluízio Sílvio (PSDB) que sugere ao Executivo Municipal a revitalização do Museu Solar Ferreiro Torto. O projeto incluiria a realização de feiras e exposições de artistas locais na área externa do Solar, trilhas ecológicas monitoradas e… a instalação de um restaurante.
Muito bom saber que os vereadores macaibenses estão se movimentando em torno de ideias que incentivam o turismo, a economia e a cultura do município. Parabéns, Aluízio!
Porém, uma ressalva é urgente!
Sem profundidade alguma de conhecimento técnico na área, este repórter suspeita que instalar um restaurante em qualquer museu é inadequado, desnecessário e muito arriscado à integridade do acervo. Sobretudo quando tratamos de um prédio com estrutura e arquitetura antigas, sem os mínimos recursos de segurança necessários. Adequá-lo a esta finalidade custaria muito caro e iria impor à administração municipal um processo burocrático enfadonho, cheio de meandros, submetido pelos organismos que regulamentam e fiscalizam o uso e preservação do patrimônio histórico do estado, já que o Solar é tombado. Observem a complexidade das obras que estão sendo executadas na Pinacoteca do Estado, antigo Palácio Potengi, e no Teatro Alberto Maranhão.
A Proposição é lastrada de louvável intenção, mas se perde um pouco quando imagina chaminés, frituras, gordura, bebida alcoólica e exaustores misturados a obras de arte, escritos, fotografias e centenas de outros itens históricos extremamente frágeis. Museus devem ser espaços democráticos, mas que demandem severo controle de acesso para garantir a integridade da memória que guardam.
O Brasil chorou quando viu o Museu Nacional arder. Claro que a causa do acidente foi diversa, mas o significado do perigo é o mesmo.
A Bahia é um estado que ufana os sabores e cores de seus quitutes. Boa parte desse orgulho foi alimentada pelas letras de Jorge Amado e Zélia Gatai. Na Casa do Rio Vermelho, onde hoje funciona um memorial dedicado ao casal, lugar onde os dois viveram e morreram, a cozinha está preservada, belíssima, mas é proibido comer por lá.
Aqui no RN, o Instituto Ludovicos celebra a vida e legado de Cascudo, o mesmo que há quase 53 anos publicou a “História da Alimentação no Brasil”, obra definitiva sobre nossa gastronomia. Nem isso é suficiente para justificar o risco de instalar um restaurante típico no casarão.
Mas é certo que nosso Museu Solar Ferreiro Torto quer deixar de representar somente o passado e integrar o presente da cidade. O caminho talvez seja a busca por parcerias público-privadas, que dispõe de expertise e recursos para manter, gerir e promover o espaço. Prédios históricos de Salvador, por exemplo, são concedidos a empresas, mas sob um rigoroso regulamento que passa pela preservação de suas características físicas, manutenção integral e gratuidade para a visitação pública.
Nada de privatização! O Solar jamais deixaria de ser dos macaibenses e de todos os potiguares!
As ideias são boas, o debate é bom e, pelo expediente, a matéria segue para o birô do prefeito Emídio Jr, que sempre considerou fundamental transformar o Ferreiro Torto num equipamento turístico e pedagógico. Os pareceres das secretarias de Cultura; Desenvolvimento Econômico; Trabalho; Meio Ambiente; e Infraestrutura irão determinar as próximas cenas.
Historiando:
Inaugurado em 1979, serviu como memorial sacro da Fundação José Augusto. Com pouca visitação e roubo de algumas peças, foi fechado e as peças levadas para o anexo da igreja do Galo, em Natal.
Em seguida foi cedido a um comerciante local, que montou uma churrascaria (!) no prédio, mas fechou pouco tempo depois.
O Solar sediou a Prefeitura de 83 a 89, quando foi transformado em museu, mas abandonado pelo poder público. Somente em 30 de março de 2003 foi reaberto com o padrão atual, denominado Museu Solar Ferreiro Torto.
Hoje seu funcionamento é mantido integralmente com recursos da Prefeitura.