O silêncio do Baobá e o luto da memória de Macaiba

O tombamento do baobá centenário de Jundiaí, em Macaíba, fala muito mais sobre nós do que sobre o peso do tempo que se acumulou em sua estrutura. Aquele gigante vivo atravessou o que nem imaginamos e o que muitos não respeitam; resistiu às intempéries e permaneceu de pé como testemunha silenciosa de quase todas as páginas gloriosas escritas por esta terra. Viu Macaíba se afirmar como território de resistência, acolher e fortalecer os quilombolas que construíram pelo seu norte, em solo fértil de história e dignidade, a maior comunidade quilombola do Rio Grande do Norte. O baobá não era apenas uma árvore antiga, era memória viva, era raiz exposta, era identidade.

O Baobá de Jundiaí era de cada macaibense e de cada potiguar. Mesmo implorando ajuda, mesmo lutando para permanecer de pé, seguia cumprindo sua missão de contar a nossa história sem palavras. Estava ali como a última grande testemunha viva de dias de glória, de vitórias e também de infindáveis desafios. Em sua presença imponente e generosa, lembrava diariamente que Macaíba é um dos berços mais importantes para a cultura e Historia do Estado.

A dor de vê-lo tombar, pouco depois de outro baobá igualmente simbólico ter tido o mesmo destino, talvez não alcance a sensibilidade de muitos que não conseguiram enxergar naquele verdadeiro totem um pedido de socorro claro e persistente. Um pedido de socorro pelo resgate das nossas raízes, pela preservação dos símbolos que nos formam, das matrizes que nos sustentam e da cultura que nos dá sentido enquanto povo. Para alguns, em um domingo aparentemente bucólico, tudo isso pode ter passado despercebido.

Mas para quem compreende a gravidade do que aconteceu, Macaíba viveu um de seus dias mais tristes. Perder o Baobá de Jundiaí é encerrar com páginas dolorosas um enredo profundamente glorioso. É silenciar, de forma irreversível, uma testemunha imponente e generosa que acompanhou gerações inteiras. O imaginário coletivo de Macaíba está de luto. E essa perda, irreparável, ficará marcada como uma ferida aberta na memória da cidade. Lamentável.

A foto desta postagem é do Instagram da vereadora Clarissa Matias, que militou muito pela preservação do Baobá de Jundiaí.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima