
O Nordeste não precisa pedir licença para ocupar seu lugar no desenvolvimento do Brasil. Precisa, sim, ser reconhecido pelo que produz, pela inteligência de seu povo, pela capacidade de inovar e pela contribuição decisiva que oferece ao país. A xenofobia contra nordestinos, frequentemente alimentada por preconceitos e discursos eleitorais, não resiste a uma análise séria da realidade.
Os números mostram uma região que está longe de viver apenas de seus desafios. O Nordeste é protagonista na geração de energia eólica e solar, avança na produção de grãos, na fruticultura irrigada, na indústria e na tecnologia. No Recife, o Porto Digital reúne 541 empresas, mais de 24 mil profissionais e movimentou R$ 7,4 bilhões em faturamento em 2025. No Vale do São Francisco, projetos públicos de irrigação produziram 4,42 milhões de toneladas de produtos agrícolas em 2024, com valor bruto de R$ 8,15 bilhões.
A energia renovável também coloca a região na vanguarda da transição energética brasileira. Dados da Empresa de Pesquisa Energética mostram que eólica e solar ganharam participação expressiva na matriz nacional em 2025. Na educação, estudantes nordestinos também conquistam destaque: no Enem 2025, oito dos dez participantes que alcançaram nota mil na redação eram de estados do Nordeste e do Sudeste, incluindo Pernambuco, Bahia e Ceará.
O turismo, a cultura, a produção científica, as universidades, a indústria e a agricultura familiar completam esse cenário de oportunidades. Em 2024, a economia nordestina cresceu 3,8%, acima dos 3,5% registrados pelo Brasil.
É evidente que ainda existem desigualdades, pobreza, problemas de infraestrutura e desafios históricos. Mas isso não autoriza ninguém a transformar uma região inteira em alvo de preconceito. O Nordeste precisa de investimentos, políticas públicas eficientes, combate à corrupção, segurança hídrica e, principalmente, oportunidades para desenvolver todo o seu potencial.
Em períodos eleitorais, quando a xenofobia ganha espaço em discursos irresponsáveis, é importante lembrar: nordestino não é cidadão de segunda categoria. É trabalhador, cientista, agricultor, empreendedor, professor, artista e protagonista da construção nacional.
O Nordeste não é um problema para o Brasil. É parte fundamental da solução e uma das maiores forças do seu futuro.
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– O título desta postagem é um verso da canção “Nordeste Independente”, composta pelos poetas e repentistas Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova.

