
Celebrado hoje, 21 de fevereiro, o Dia Internacional da Língua Materna foi instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura em 1999, por proposta de Bangladesh, e passou a ser observado mundialmente a partir de 2000. A data chama atenção para a importância da preservação das línguas e da promoção da diversidade cultural como pilares para sociedades mais inclusivas e sustentáveis. Segundo a UNESCO, cerca de 40% da população mundial não tem acesso à educação na língua que fala ou compreende, realidade que impacta diretamente a aprendizagem e amplia desigualdades. No Brasil, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística apontam a existência de mais de 270 línguas faladas, especialmente em comunidades indígenas, o que evidencia a riqueza e os desafios da diversidade linguística no país.
A língua materna é o primeiro idioma aprendido no ambiente familiar e social e constitui a base do desenvolvimento cognitivo, emocional e cultural da criança. É por meio dela que se estruturam as primeiras relações, a compreensão do mundo e os processos iniciais de alfabetização. Especialistas em educação defendem que valorizar a língua materna na escola favorece a aprendizagem, melhora a compreensão leitora e fortalece a autoestima e o sentimento de pertencimento. No contexto da educação básica, reconhecer as variações linguísticas e respeitar os diferentes repertórios culturais dos estudantes é também uma estratégia pedagógica que contribui para reduzir barreiras e ampliar a participação em sala de aula.
Diante do avanço da globalização e do risco de desaparecimento de idiomas, a UNESCO reforça que as sociedades multilíngues se sustentam por meio da transmissão de saberes e tradições ao longo das gerações. Em 2026, o foco da campanha internacional destaca o papel dos jovens na construção de um futuro pautado pela educação multilíngue. Para famílias e escolas, a data se transforma em oportunidade de diálogo e prática, seja por meio de rodas de conversa, leitura de histórias ou atividades que valorizem a identidade linguística das crianças. Ao reconhecer a língua materna como direito e instrumento de aprendizagem, a sociedade reafirma o compromisso com uma educação mais inclusiva e com a preservação do patrimônio cultural brasileiro.

