
O Brasil encerrou 2024 com cerca de 433 mil milionários em dólares, liderando o ranking da América Latina e ocupando a 19ª posição global entre os países com mais pessoas com patrimônio acima de US$ 1 milhão, segundo o Relatório Global de Riqueza 2025, divulgado pelo banco suíço UBS. No topo da lista estão os Estados Unidos, que sozinhos ganharam 379 mil novos milionários em um ano — mais de mil por dia. Ao todo, 684 mil pessoas no mundo passaram a integrar esse seleto grupo, impulsionadas pela recuperação econômica global.
Apesar dos números expressivos, o relatório faz um alerta importante sobre a realidade brasileira: o país tem um dos maiores índices de desigualdade de riqueza do mundo. Enquanto a média de patrimônio por adulto no Brasil gira em torno de US$ 31 mil, a riqueza mediana — aquela que mostra a distribuição mais fiel — é de apenas US$ 6.482. Com um índice de Gini de 0,82, o país empata com a Rússia na liderança global da concentração de renda, muito à frente da Eslováquia, que registrou o menor nível de desigualdade no levantamento (0,38).
Outro dado que chama atenção é a previsão de heranças no país. O Brasil aparece como o segundo do mundo com maior volume projetado de transferência de patrimônio nas próximas duas décadas, com quase US$ 9 trilhões. O número é impulsionado pela expressiva população acima dos 75 anos, indicando que uma grande parcela da riqueza acumulada passará para as próximas gerações. O país só fica atrás dos Estados Unidos, que concentram mais de US$ 29 trilhões nesse processo.
Apesar de liderar regionalmente em número de milionários, o Brasil ainda enfrenta o desafio de garantir que essa riqueza seja distribuída de forma mais justa. O relatório reforça que ter muitos milionários não significa, necessariamente, que a maioria da população viva com conforto financeiro. A urgência por políticas públicas que reduzam desigualdades e ampliem o acesso à educação financeira, crédito e oportunidades segue como um dos grandes compromissos sociais e econômicos do país.

