Exportações de carne ignoram tarifaço americano e aumentam no Brasil

Exportações de Carne Ignoram Punição Americana e Aceleram Crescimento Globa
Os Estados Unidos, sob a gestão do presidente Donald Trump, impuseram uma sobretaxa de 50% às carnes brasileiras a partir de agosto, sem conceder o tratamento especial que outros produtos ou parceiros comerciais receberam. Essa tarifa elevadíssima, a maior aplicada pelos americanos entre a maioria de seus aliados comerciais, gerou um impacto imediato no fluxo de mercadorias. Os embarques totais do Brasil para o mercado americano caíram 18% na comparação anual em agosto, com as remessas específicas de carne despencando 46%, um recuo que tornou os produtos consideravelmente mais caros e menos competitivos.
Contudo, a produção nacional conseguiu superar rapidamente o revés no comércio bilateral devido a um cenário global favorável e único. De um lado, o mundo enfrenta uma escassez de carne, pois grandes produtores como a Austrália e os próprios Estados Unidos têm encontrado dificuldades em expandir sua capacidade de oferta, mantendo o suprimento mundial restrito. De outro, a demanda global segue firme e aquecida. O Brasil, maior fornecedor mundial do produto, se posiciona de maneira ideal para capitalizar essa dinâmica, vendendo para mais de 150 países onde os competidores não têm mais volume para suprir.
A compensação pelo obstáculo americano veio de forma expressiva em diversos mercados emergentes. O crescimento consistente da renda e as mudanças culturais em países asiáticos impulsionaram o consumo em regiões que historicamente comiam pouca carne bovina, como Vietnã, Malásia, Indonésia e Filipinas. O redirecionamento das vendas foi notável: as exportações para a China, que já representam 60% das vendas brasileiras, saltaram 90% em agosto. Outros compradores importantes também apresentaram taxas impressionantes, com aumento de 30% no Chile, 109% na Rússia e um crescimento de 300% no México.
A performance geral do setor, portanto, atingiu níveis recordes, ignorando a punição tarifária. As exportações totais de carnes cresceram 56% no período, alcançando a marca de 1,5 bilhão de dólares e fixando-se nos maiores patamares históricos. O crescimento é tão robusto que a média diária exportada de carne bovina em setembro ultrapassou em 53% a média do mesmo mês no ano anterior. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) inclusive revisou para cima sua projeção de crescimento de exportações para 2025, de 12% para perto de 14%. O desafio, porém, persiste: apesar do crescimento em volume, o setor, que trabalha com margens apertadas de 3% a 4%, perdeu um mercado altamente rentável, impactando o sistema de vendas como um todo.

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