17 de dezembro de 2025

Natureza

Cadê nossos pardais?

Durante muito tempo, bastava olhar para o alto nas cidades para encontrar pardais espalhados por telhados, fios e praças. Sempre em grupo e com seu canto inconfundível, essas pequenas aves fizeram parte do cotidiano urbano e da lembrança afetiva de gerações inteiras. Nos últimos anos, porém, a presença antes corriqueira passou a chamar atenção justamente pela ausência. Em diferentes regiões do país, pesquisadores e observadores de aves registram uma diminuição expressiva desses animais, um cenário que também se repete em centros urbanos de outras partes do mundo.

A redução não ocorre por acaso. Especialistas apontam que a escassez de insetos, provocada pelo uso intenso de agrotóxicos e pela expansão desordenada das cidades, compromete diretamente a reprodução dos pardais. Embora os adultos se alimentem principalmente de sementes, os filhotes dependem quase exclusivamente de insetos nos primeiros dias de vida. Soma-se a isso a transformação do desenho urbano, com prédios modernos, superfícies lisas e a eliminação de frestas e beirais, espaços antes essenciais para a construção de ninhos. Poluição, excesso de ruído e a disputa com outras espécies completam um ambiente cada vez menos favorável.

Esse desaparecimento progressivo ocorre de forma quase imperceptível, até que o silêncio se torna evidente. Biólogos alertam que o declínio dos pardais funciona como um sinal de alerta sobre a qualidade ambiental das cidades. Conhecidos pela resistência e pela facilidade de adaptação ao convívio humano, eles sempre foram considerados indicadores de equilíbrio urbano. Quando até essas aves começam a desaparecer, o alerta se estende para toda a biodiversidade que depende de espaços mais saudáveis para sobreviver.

Curiosamente, os pardais não fazem parte da fauna original do Brasil. A espécie Passer domesticus tem origem no Oriente Médio e se espalhou pela Europa e pela Ásia acompanhando os assentamentos humanos. No início do século XX, por volta de 1903, foi introduzida no Rio de Janeiro pelo então prefeito Pereira Passos, com a intenção de ajudar no controle de insetos. Sem predadores naturais e com abundância de alimento e abrigo nas cidades, a ave se espalhou rapidamente pelo território nacional, tornando-se uma das mais comuns do país. Hoje, seu declínio levanta uma pergunta carregada de nostalgia e preocupação: o que aconteceu com os pardais que sempre pareceram parte permanente da nossa paisagem?

Foto: WikiAves

Natal em Macaíba

Auto na Terra de Auta acontece em Macaíba nesta sexta-feira (19)

A programação do Natal em Macaíba continua nesta sexta-feira (19), a partir das 19h, com a apresentação do espetáculo “Auto na Terra de Auta – uma viagem pela cultura macaibense”, no patamar da igreja matriz de Nossa Senhora da Conceição. O evento promete emocionar o público ao unir o nascimento do Menino Jesus com a valorização da cultura popular macaibense.

Com roteiro e direção geral do artista macaibense Telmo Oliveira, o espetáculo conta com um elenco formado, em sua maioria, por artistas locais e reúne diversas expressões culturais tradicionais do município. A montagem é uma verdadeira viagem pela identidade cultural de Macaíba, tendo como inspiração a poetisa Auta de Souza, símbolo da história e da literatura local.

Na narrativa, um anjo anuncia a Maria que seu filho deverá nascer em uma terra de rica cultura. Ao lado de José, ela segue em uma jornada até essa terra especial. No caminho, porém, o Mal tenta impedir a chegada, sendo combatido com a ajuda de personagens simbólicos da cultura popular, como Zé do Coité, e pela presença espiritual de Auta de Souza, que surge como um anjo em defesa da cultura macaibense.

O espetáculo resgata manifestações tradicionais como o Pastoril de Benedita, o Boi-de-Reis, o Coco-de-Roda e o Maculelê, que se unem à poesia de Auta de Souza e à Literatura de Cordel para celebrar o Natal e reforçar a importância da preservação cultural.

De acordo com o diretor Telmo Oliveira, a proposta do Auto é fortalecer a identidade cultural local por meio da arte. “A construção do ‘Auto na Terra de Auta’ nasceu da ideia de resgatar a cultura macaibense e os grupos culturais que existiam há muito tempo. Juntamos tudo isso com a história do nascimento do Menino Jesus, trazendo esse acontecimento para Macaíba como uma forma de salvar e manter viva a nossa cultura”, destacou.

A produção foi dividida em núcleos cênicos, envolvendo crianças, jovens, professores e artistas da terra, criando um espetáculo coletivo e plural. “É o encontro de muitos festejos culturais, de pessoas e gerações diferentes, resultando em um espetáculo maravilhoso”, completou o diretor.

A montagem tem produção da Cia. Teatral Nascidos da Cultura e do Grupo Cultura em ‘Auta’, com direção de núcleos de Kael Lima. As coreografias ficam por conta do Grupo Arte e Dança da Escola Ativa, sob coordenação da coreógrafa Maria Rita, além da participação do Grupo de Maculelê Capoeira Nacional, coordenado pelo mestre Felipe Capu. Os figurinos foram desenvolvidos pelo Grupo Cultura em “Auta”, Cia. Nascidos da Cultura e Paulo Lyra, com locução, áudio e edição assinados por Ádamo Rocha.

Rolar para cima