Nossa Senhora Aparecida nos protege e também precisa de proteção

Celebrado em 12 de outubro, o Dia de Nossa Senhora Aparecida ganha, em 2026, repercussão em meio a polêmicas políticas e denúncias de intolerância religiosa. A padroeira do Brasil tornou-se também centro de discussões sobre respeito à fé, à história e às tradições culturais do país

Em setembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou que a Polícia Federal investigasse ataques contra imagens religiosas, igrejas e terreiros de religiões de matriz africana em sete estados. Entre os crimes apurados estão vilipêndio a culto, preconceito religioso, dano ao patrimônio e ameaça.

A controvérsia também envolve o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), após a circulação de conteúdos que o associavam a uma proposta de retirada do título de padroeira do Brasil concedido a Nossa Senhora Aparecida. O projeto de lei 2.623/2007, apresentado pelo então deputado Victório Galli, foi arquivado em 2022 e previa restringir o título aos brasileiros católicos. Alas do bolsonarismo apoiam a reapresentação do projeto no próximo ano.

Para dom Geraldo Maia, bispo de Araçuaí (MG), a religião está ligada à fé e às tradições, não à legislação estatal. Ele defende respeito aos católicos e afirma que a Igreja continuará cumprindo sua missão diante dos desafios políticos e sociais.

A história da imagem também registra violência. Em 1978, a escultura original foi quebrada em mais de 200 pedaços após ser lançada ao chão. Restaurada em 33 dias por Maria Helena Chartuni, no Museu de Arte de São Paulo (MASP), hoje permanece protegida por vidro blindado no Santuário Nacional.

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