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O problema do Brasil está mesmo nos programas sociais, como dizem os mais ricos?

O debate sobre o custo dos programas sociais costuma ignorar uma parcela importante das contas públicas. Na LOA de 2026, o Bolsa Família tem R$ 158,6 bilhões e o BPC/RMV, R$ 122,4 bilhões. Já o Minha Casa, Minha Vida aparece com R$ 33,6 bilhões. São políticas distintas: transferência de renda, benefício assistencial a idosos e pessoas com deficiência e acesso à moradia. 

A comparação ganha outra dimensão quando se olha para os juros. O Banco Central registrou R$ 1,095 trilhão em juros nominais do setor público nos 12 meses encerrados em abril de 2026. Juros da dívida são o custo financeiro de um endividamento formado, entre outros fatores, por títulos emitidos pelo governo para financiar déficits e refinanciar compromissos anteriores.

Isso não significa que juros sejam dinheiro simplesmente “entregue aos bancos”, como às vezes aparece no debate. Credores da dívida incluem bancos, fundos, empresas, investidores e pessoas físicas. Também é preciso separar orçamento de estimativas fiscais: não é correto somar indiscriminadamente orçamento do MEC ou da Saúde com programas específicos e depois comparar o resultado com juros.

Outro ponto é a renúncia tributária. Trata-se de receita que o Estado deixa de arrecadar por meio de benefícios, isenções ou incentivos fiscais. Para 2026, o TCU cita projeção de R$ 620,8 bilhões em gastos tributários, considerando benefícios previdenciários. Já números sobre “sonegação” dependem de metodologia e não podem ser tratados como dinheiro efetivamente recuperável. 

A conclusão responsável é menos simples, mas mais importante: programas sociais têm custo e precisam ser avaliados quanto à eficiência, mas atribuir a eles, isoladamente, o desequilíbrio fiscal brasileiro não corresponde aos dados. O debate sério precisa incluir juros, dívida, renúncias tributárias, arrecadação, despesas obrigatórias e qualidade do gasto. É olhando o conjunto que se identifica onde estão os problemas e onde existem escolhas que podem ser revistas.

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Afinal, o que está por trás do tarifaço?

A imposição de novas tarifas comerciais pelos Estados Unidos contra o Brasil expõe uma disputa geopolítica e econômica que transcende divergências técnicas. Por trás das justificativas oficiais para as barreiras alfandegárias, analistas enxergam uma contraofensiva de Washington para resguardar sua hegemonia tecnológica e financeira.

No centro da disputa está o acesso a insumos cruciais da economia do século XXI, como os minerais de terras raras, fundamentais para a transição energética e a Inteligência Artificial. Enquanto o Brasil abriga a segunda maior reserva mundial desses elementos e defende o refino e a industrialização local para gerar valor em seu território, os EUA pressionam por modelos extrativistas tradicionais.

A atração de retaliações comerciais também se relaciona com a defesa brasileira da soberania digital e financeira. A expansão de alternativas soberanas como o Pix enfraquece a dependência de corporações americanas, irritando Washington. Como observou o Nobel de Economia Joseph Stiglitz ao classificar os pretextos tarifários como uma “farsa desonesta”, a estratégia norte-americana visa punir posições autônomas do Sul Global. Ao adotar a coerção econômica em vez do livre comércio multilateral, contudo, os EUA arriscam isolar seu mercado e empurrar parceiros estratégicos para o eixo de influência da China.

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– Imagem: Olhar Digital

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De onde vêm os lemas políticos “Deus, Pátria, Família” e “Brasil Acima de Tudo”

O debate público no Brasil tem sido marcado pela presença constante de slogans políticos que mobilizam multidões e definem posicionamentos ideológicos. Publicações difundidas nas redes sociais pelo perfil de Matheus Arcaro analisam a trajetória histórica e a procedência de duas expressões amplamente utilizadas no cenário nacional contemporâneo: “Deus, Pátria, Família” e “Brasil acima de tudo”.
De acordo com o levantamento apresentado pelo autor, o slogan “Deus, Pátria, Família” remonta à década de 1930, associado ao fascismo italiano sob a liderança de Benito Mussolini e difundido nas ditaduras ibéricas, sobretudo em Portugal. Naquele período, a expressão sintetizava pilares calcados em nacionalismo, moralidade, autoridade e religião. No cenário nacional, a fórmula foi adotada na mesma década pela Ação Integralista Brasileira, movimento fundado por Plínio Salgado em 1932. As correntes fascistas do século XX são estimadas por historiadores como responsáveis por mais de 2 milhões de mortes decorrentes de perseguições e censura.
Já a construção “Brasil acima de tudo” reflete uma adaptação do verso “Alemanha acima de tudo”, composto originalmente em 1841 para o hino alemão. Durante o regime nazista de Adolf Hitler, a frase foi associada a conceitos de superioridade nacional, supremacia racial e expansão territorial. O nazismo provocou mais de 30 milhões de mortes e, em função dessa bagagem histórica, o verso foi removido e não integra mais o hino oficial da Alemanha contemporânea.
O material informativo ressalta ainda o histórico de expressões correlatas, citando que o jornal The Good Citizen foi publicado pela organização supremacista Ku Klux Klan nos Estados Unidos. Ao traçar a evolução desses slogans, a análise busca oferecer repertório e contexto histórico para que o público compreenda as origens, as transformações e as implicações do vocabulário político utilizado no país.
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Contas públicas exigem atenção, mas economia brasileira mantém espaço para reação

Os números fiscais do Brasil mostram um cenário que exige atenção, mas também ajudam a separar problemas reais de diagnósticos exagerados. Em junho de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a R$ 10,8 trilhões, equivalente a 81,9% do PIB, segundo o Banco Central. O indicador reúne União, INSS, estados e municípios e representa o estoque acumulado de obrigações, não um “rombo” produzido em um único período.

O déficit nominal acumulado em 12 meses alcançou R$ 1,3178 trilhão, ou 9,99% do PIB. Desse total, R$ 1,1605 trilhão correspondem aos juros nominais. O dado mostra o peso do custo financeiro sobre as contas públicas e ajuda a explicar a pressão fiscal atual.

Há, porém, uma diferença importante entre o dado fechado e as projeções. Uma análise do Poder360, baseada nas estimativas do mercado, projeta déficit nominal médio de 8,54% do PIB entre 2023 e 2026, acima dos 8,48% registrados entre 2015 e 2018. Como 2026 ainda está em curso, trata-se de uma estimativa, não de um resultado definitivo.

O quadro fiscal, portanto, é um desafio concreto, mas não autoriza a ideia de uma economia sem saída. A própria composição dos números mostra que juros têm peso decisivo no resultado. Com crescimento econômico, controle gradual das despesas e redução do custo financeiro, existe espaço para melhorar a trajetória das contas. O dado mais importante, neste momento, é reconhecer o problema sem transformar uma fotografia fiscal em sentença sobre o futuro da economia brasileira.

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