
Durante quase um século da história política brasileira, as mulheres ficaram fora das cadeiras do Parlamento, mesmo participando ativamente da vida pública. Só em 1932 o direito ao voto feminino foi garantido em todo o país, abrindo caminho para que, dois anos depois, Carlota Pereira de Queiróz se tornasse a primeira deputada federal do Brasil. A conquista, no entanto, foi resultado de uma mobilização que começou muito antes, com mulheres organizando movimentos, escrevendo manifestos e pressionando instituições em busca de participação política e cidadania plena.
A presença feminina ganhou novo fôlego a partir da redemocratização. Na Assembleia Nacional Constituinte de 1987 e 1988, 26 deputadas participaram da construção da Constituição que consagrou a igualdade entre homens e mulheres como princípio fundamental do país. Nos anos seguintes, a articulação coletiva se fortaleceu com a criação da Bancada Feminina na Câmara, responsável por impulsionar políticas de enfrentamento à violência de gênero, ampliação de direitos trabalhistas e mecanismos institucionais de proteção às mulheres dentro do próprio Parlamento.
Hoje, o desafio é transformar conquistas legais em presença efetiva no poder. Embora representem mais da metade da população e do eleitorado brasileiro, as mulheres ocupam cerca de 18 por cento das cadeiras da Câmara dos Deputados. Ao mesmo tempo, novas vozes ampliam a diversidade do Congresso, como a eleição da primeira deputada indígena, Joênia Wapichana, em 2018, e das primeiras deputadas federais trans, Erika Hilton e Duda Salabert, em 2022. A história mostra que cada avanço foi fruto de pressão social, organização política e persistência coletiva.
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