Homenagem

Santa Dulce dos Pobres: O Anjo Bom do Mundo foi para o céu há 34 anos

Quem a visse frágil, com pouco mais de 1,50 metro e saúde debilitada por problemas respiratórios, dificilmente imaginaria a dimensão de sua obra. Maria Rita de Sousa Brito Lopes Pontes, a Irmã Dulce, morreu em 13 de março de 1992, cercada por religiosos e amigos, deixando um legado que ultrapassaria fronteiras. Conhecida como o anjo bom da Bahia, ela se tornaria, em 2019, a primeira mulher nascida no Brasil a ser canonizada, proclamada santa pelo papa Papa Francisco, após beatificação reconhecida pela Igreja Católica em 2011.

Baiana de Salvador, ingressou na vida religiosa em 1933 e rapidamente direcionou sua missão aos mais pobres da Cidade Baixa. Nos anos 1940, transformou um galinheiro ao lado do convento em um espaço improvisado de atendimento a doentes sem qualquer acesso à saúde. O que começou com 70 atendimentos ambulatoriais evoluiu para o Hospital Santo Antônio, embrião das atuais Obras Sociais Irmã Dulce. Hoje, o complexo reúne 21 núcleos, 954 leitos, cerca de 2 mil atendimentos diários, 2,2 milhões de procedimentos ambulatoriais por ano, além de milhares de cirurgias e internações, consolidando-se como referência em assistência gratuita no país.

Articulada com empresários, políticos e voluntários, Irmã Dulce construiu uma rede de solidariedade que antecipou, décadas antes, o conceito de acesso universal à saúde que seria institucionalizado com o SUS em 1988. Sua canonização, ocorrida na Praça São Pedro, no Vaticano, simbolizou não apenas reconhecimento religioso, mas a validação de uma trajetória marcada por coragem, gestão eficiente e compromisso social. Trinta anos após sua morte, seu legado permanece vivo no Santuário Santa Dulce dos Pobres e nas milhares de histórias de vidas transformadas por uma obra que nasceu da fé e se sustentou na prática diária da caridade.