Crescem denúncias de maus-tratos a animais no Rio Grande do Norte

Os registros de maus-tratos a animais no Rio Grande do Norte aumentaram em 2025, acendendo um alerta para autoridades e defensores da causa animal. Dados da Secretaria da Segurança Pública e da Defesa Social indicam que o estado contabilizou 540 ocorrências ao longo do ano, número que representa um crescimento de 9,3% em relação ao período anterior. O levantamento revela um cenário complexo, marcado por mudanças no perfil das vítimas e maior participação da sociedade nas denúncias.
Enquanto os casos envolvendo cães e gatos apresentaram redução de 20%, os registros de violência contra outros tipos de animais cresceram de forma expressiva, com alta de 40,5%. Também foram identificadas três ocorrências relacionadas à realização de experiências dolorosas e cruéis em animais vivos, associadas a atividades com fins didáticos ou acadêmicos. Em contrapartida, houve queda no número de mortes decorrentes de maus-tratos, que passou de 99 para 75 casos, uma redução de 24%.
À frente da Delegacia Especializada de Defesa ao Meio Ambiente em Natal, a delegada Danielle Filgueira aponta que grande parte das ocorrências está ligada ao abandono e à manutenção de animais em condições inadequadas. Entre as situações mais comuns estão ambientes insalubres, restrição excessiva de movimentos e falta de acesso a água e alimentação. Segundo ela, o abandono configura crime de maus-tratos quando há intenção comprovada por parte do responsável, conforme prevê a legislação.
A delegada também chama atenção para o perfil recorrente dos agressores, frequentemente associado a outros tipos de violência, especialmente no ambiente doméstico. De acordo com a especialista, muitos envolvidos em crimes contra animais apresentam histórico de agressões contra mulheres, idosos e crianças. Em Natal, ela destaca que o aumento dos registros não reflete necessariamente mais crimes, mas sim maior conscientização da população sobre o que caracteriza maus-tratos e a importância da denúncia. Casos recentes, como o abandono de filhotes em via pública e a morte de um animal em uma feira livre após um episódio de agressão, reforçam a gravidade do problema e a necessidade de vigilância permanente.

